O ministro da Justiça holandês demitiu-se esta segunda-feira à noite na sequência de um escândalo de um acordo concluído há 15 anos pela procuradoria com um célebre traficante de droga, no montante de vários milhões de florins.

«Houve, durante muito tempo, uma incerteza a respeito deste assunto», declarou o ministro Ivo Opstelten, durante uma conferência de imprensa, acrescentando: «Assumo toda a responsabilidade e acabo de apresentar a minha demissão ao rei».

Opstelten e o seu secretário de Estado, Fred Teeven, anunciaram a demissão horas depois de o Ministério ter anunciado a descoberta da prova do montante exato pago na altura – 4,7 milhões de florins (2,13 milhões de euros) – ao traficante de droga Cees H.

Fred Teeven, que era o procurador envolvido, tinha concluído o acordo em 2000. Este previa o pagamento, através de contas no Luxemburgo, de milhares de florins, apreendidos durante as investigações. O dinheiro deveria ser entregue ao traficante sem que a administração fiscal fosse informada, segundo a imprensa holandesa, que avançou que se tratava de facto de lavagem de dinheiro.

Questionado em 2014 pelos deputados sobre o assunto, depois da difusão de uma reportagem sobre o assunto pela televisão pública holandesa NOS, Opstelten tinha então garantido que não havia provas disponíveis sobre esse acordo.

Depois da difusão de novas reportagens, foi aberto um novo inquérito.

«O inquérito não permitiu encontrar extratos bancários ou outros documentos mas tenho uma prova numérica que o montante de 4,7 milhões de florins foi transferido para Cees H.», acrescentou o ministro.

«Tenho pois de constatar que a informação existia e que deveria ter sido divulgada mais cedo», disse ainda.

Esta demissão permite ao governo de Mark Rutte evitar um debate potencialmente embaraçante, previsto para terça-feira, a uma semana das eleições.