Os progressos na luta mundial contra a sida estão a ser ameaçados pelos comportamentos de cinco grupos de risco fundamentais, de acordo com o alerta feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) esta sexta-feira.

Fazem parte dos grupos de maior risco homens homossexuais, prostitutas, homens transsexuais, toxicodependentes que usam drogas injetáveis e pessoas que estão em prisões ou estabelecimentos fechados.

A OMS salientou que, apesar do maior risco de infeção do vírus HIV, estes grupos são menos propensos a adotar medidas de prevenção, a realizarem testes ou a efetuarem tratamentos. Cerca de 50 por cento dos novos casos de infeção de HIV ocorrem nestes grupos.

«Assistimos ao aparecimento de epidemias neste grupos-chave», declarou Gottfried Hirnschall, diretor do departamento da OMS, citado pela Reuters.

A organização foi mais longe e, pela primeira vez, recomendou que os homens homossexuais tomassem medicamentos anti-retrovirais como uma forma extra de se protegerem, para além da utilização do preservativo.

Chama-se profilaxia pré-exposição (PrEP) a qualquer procedimento médico ou sanitário usado para prevenir uma doença e, no caso do HIV, exige a toma de um único comprimido, diariamente.

Quando adotado de forma consistente, o PrEP tem demonstrado reduzir o risco de infeção até 92 por cento.

Os especialistas acreditam que a incidência do vírus entre homens homossexuais poderia ser reduzida entre 20 a 25 por cento com o PrEP, evitando até um milhão de novos casos em 10 anos.

Estima-se que cerca de 35,3 milhões de pessoas, em todo o mundo, estejam infetadas com HIV. O aumento do número de doentes reflete os avanços dos últimos anos no desenvolvimento de testes sofisticados e de medicamentos.

O número anual de vítimas mortais de sida também está a diminuir. Em 2005 foram registadas 2,3 milhões de mortes por causa da doença e, em 2012, verificaram-se 1,6 milhões.

Apesar dos progressos, para a OMS os números associados aos grupos de risco podem ser determinantes na luta contra a doença.

Conheça as probabilidades de infeção dos maiores grupos de risco