Scott Walker, 47 anos, governador do Wisconsin, é desde esta segunda oficialmente candidato à presidência dos EUA.

Um «tweet» inadvertidamente libertado pela sua campanha já o tinha antecipado na sexta, mas, na verdade, até a data do anúncio já era conhecida há semanas.

O mais importante, mesmo, é apontar Walker como o mais forte «challenger» ao favoritismo de Jeb Bush para a nomeação republicana.

Líder das sondagens no Iowa, bem posicionado no segundo estado de arranque, o New Hamphire, Scott Walker pode aproveitar o calendário das primárias para perturbar a dinâmica da corrida republicana.

Sem a dimensão nacional de Jeb Bush, Chris Christie ou até Marco Rubio, Scott Walker foi conseguindo, nos últimos 12 meses, posicionar-se como candidato a ter em conta na corrida republicana.

É um governador muito popular no Wisconsin (estado importante para a batalha final, por ser um dos que ora vota democrata, ora vota republicano), Walker teve uma primeira vitória local ao «queimar» a candidatura do outro republicano «presidenciável» do Wisconsin: Paul Ryan.

A reeleição para o governo do Wisconsin, em novembro passado, fez de Scott Walker um dos maiores vencedores da noite histórica que os republicanos obtiveram nas «midterms» de 2014.

A partir daí, a sua candidatura presidencial de 2016 passou a ser inevitável.

Estudou na Universidade Marquette, mas não acabou o curso.

A «não licenciatura» de Scott até já passou a ser tema nas intermináveis discussões nos programas de comentário político nas televisões americanas. E, de facto, contrasta com a elevada preparação académica de vários candidatos (até dos menos prováveis, como o polémico e radical Ted Cruz, que tem no currículo duas «Ivy League», Princeton e Harvard).

O que é certo é que essa não foi, até agora, uma falha decisiva no currículo de Scott. Será que na corrida à Casa Branca poderá revelar-se comprometedora?

A plataforma eleitoral de Scott tem muito a ver com o registo da sua governação no Wisconsin: cortes fiscais para os pequenos negócios, de modo a incentivar o emprego; oposição ao aborto, mesmo em casos de violação e aborto.
Walker tem posição muito crítica da política externa de Obama, acusando o Presidente de ser «muito fraco» perante a ameaça do Estado Islâmico.

Conservador em tudo, embora tentando não se colar ao rótulo «Tea Party» que compromete, à partida, a viabilidade de candidaturas como as de Ted Cruz, Rick Santorum, Rick Perry, Bobby Jindal ou Mike Huckabee (já para não falar em Donald Trump…)

Não ameaça, para já, o favoritismo de Jeb Bush (que tem bom avanço nas sondagens nacionais e nos estados com mais delegados). Mas pode encurtar o «momento louco» de Donald Trump.

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Hillary e a Economia: dar mais dinheiro à classe média
 
No mesmo dia em que do lado republicano avançou um dos candidatos mais fortes, Hillary Clinton torna público o seu plano económico.
 
Nos últimos dias, a super favorita à nomeação democrata foi libertado as ideias fortes desse plano: dar mais poder económico à classe média, através do aumento dos salários mais baixos, usando assim instrumentos federais para que as famílias americanas sintam mais no bolso o crescimento verificado nos anos Obama.
 
«Concorro à presidência para tornar a nossa economia funcional para todos os americanos. Para os bem-sucedidos e para os que lutam. Para todos os que caíram, para todos os que foram derrubados, para os que se recusam a cair. Não concorro para alguns americanos, mas para todos», escreveu Hillary no Facebook oficial da sua candidatura.   
 
Classe média, justiça salarial, direitos das mulheres e das crianças, tudo englobado numa visão partilhada da sociedade americana: «Temos que que nos assegurar que as mulheres e as famílias consigam sigam em frente – incluindo a garantia de que mais mulheres se possam juntar à força de trabalho, tenham acesso a cuidados de saúde para os seus filhos, obtenham salários idênticos em relação aos homens para igual trabalho e tenham licenças pagas para estarem com os filhos», apontou Clinton.
 
«Toda a gente que trabalha no duro e faz a sua parte deve ver esse esforço refletido no seu salário. Para aumentar os salários, temos que investir em forte crescimento, assegurar que os ganhos vão não apenas para os que estão no topo e temos que abrir caminhos para bons empregos para cada vez mais americanos. Precisamos de uma economia que funcione para toda a gente».
 
Insistindo naquela que foi a ideia forte do seu primeiro comício, Hillary apontou: «A democracia não pode ser só para os bilionários e para as corporações. A prosperidade e o crescimento fazem parte do contrato americano».
 
Hillary fará assim, no seu plano económico, a sua tese de uma economia americana que não está condenada a salários baixos e à desigualdade, advogando a ideia de que o crescimento terá que ter consequências no poder de compra da classe média.
 
Para a provável nomeada presidencial democrata, uma das formas de garantir que isso acontece é mesmo pelas políticas federais – e é isso que ela promete fazer se chegar à Casa Branca.
 
Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»