A Ronald Reagan Presidential Library, em Simi Valley, California, acolheu o segundo exame para os 11 principais candidatos à nomeação republicana.
 
Por esta ordem nas sondagens: Donald Trump, Ben Carson, Jeb Bush, Ted Cruz, Scott Walker, Marco Rubio, Carly Fiorina, Mike Huckabee, Rand Paul, John Kasich e Chris Christie.
 
O debate da CNN foi, acima de tudo, um teste à resistência dos candidatos. Quase três horas, com uma só paragem (de quatro minutos e meio) para os candidatos que necessitarem de ir à casa de banho, no terceiro bloco para compromissos comerciais.
 
Trump, Trump, Trump: ainda é este o som dominante da corrida republicana.
 
Mas o segundo debate televisivo mostrou sinais de evolução: Donald esteve sob fogo cruzado dos restantes candidatos, numa intensidade ainda maior do que aconteceu no primeiro.
 
Logo nas declarações iniciais, Mike Huckabee passou ao ataque: «Acho que somos a ‘A Team’. Temos muito bons candidatos, ao contrário do que um deles que aqui está costuma dizer, não somos uns ‘tolos’».
 
Jeb Bush, bem mais enérgico que no primeiro debate, passou ao ataque: exigiu que Trump pedisse desculpa a Columba, a mexicana-americana que há mais de 40 anos é mulher de Jeb. Mas Donald recusou-se a fazê-lo.
 
Ainda não se sabe se essa recusa em pedir desculpas continua a render votos ao ‘frontrunner’ republicano.
 
Mas neste debate a coisa já ficou mais complicada para Trump: levou resposta de Carly Fiorina sobre a tirada do ‘look at this face…’ e de Rand Paul ao comentário de que ‘nem sequer devia estar neste palco, está só com 1% nas sondagens’»
 
E houve outro nome citado por todos no debate: Reagan.
 
Se quase todos os candidatos quiseram jurar ser muito diferentes de Donald Trump, o que mesmo todos quiseram foi colar-se à herança do mais popular presidente republicano de sempre.
 
Jeb Bush até fez, num dos momentos acalorados com Donald Trump, uma comparação feliz: «Prefiro a visão Reagan de uma América otimista e positiva do que a visão Trump de que tudo é mau e que todos querem fazer mal a este grande país».
 
O ex-governador da Flórida aproveitou ainda a questão da herança do pai e do irmão na parte militar para lembrar que está «contra os cortes» no Pentágono. E sobre o irmão George W: «Ele manteve-nos seguros».
 
Já nos ataque a Barack Obama, Jeb lançou uma pergunta em forma de ‘gaffe’: «Alguém consegue nomear um país que passou a dar-se melhor com os EUA com esta presidente?» Pois, muitos se terão lembrado logo de Cuba…
 
Ben Carson a marcar diferenças
 
E também houve Ben Carson: o neurocirurgião negro, segundo nas sondagens, foi outro centro de atenções.
 
Evitou entrar em confronto direto com Trump, sabendo, por certo, que este estava a ser o debate dos «outsiders» da política.
 
Carly Fiorina, que também marcou pontos na área dos «não políticos», lançou tese sobre isso: «Não é por acaso que 75% dos americanos consideram o governo corrupto».
 
O único momento de divergência clara entre os dois (para lá do estilo, que é muito diferente), terá sido na parte fiscal: Donald defende a progressividade (maior carga percentual para quem ganha mais), Ben advoga uma «flat tax» de 10% para todos os contribuintes, independentemente de serem ricos ou pobres.
 
«A América é assim», comentou Carson. «Conheço muitos tipos dos hedge funds que fazem muito dinheiro e não pagam nada. Não acho justo», ripostou Donald, anunciando para breve plano fiscal com cortes de impostos para a classe média.
 
Walker e Rubio apagados
 
Os focos sobre Trump e Carson levaram a mais um apagamento de dois candidatos apontados como «elegíveis», mas que continuam por baixo nas sondagens: Scott Walker e Marco Rubio.
 
Ainda assim, o senador da Florida puxou da sua história familiar e pessoal para concluir que «uma reforma de imigração tem que ser algo bem mais profundo do que Donald Trump diz sobre o tema».
 
John Kasich, governador do Ohio, manteve registo à parte, tentando contar o seu caso de reformador com credenciais em estados decisivos e temas que podem ser importantes para a eleição geral.

Chris Christie a renascer?

Quase fora deste painel principal, tão mal está nas sondagens, o carismático governador da Nova Jérsia tentou renascer com desempenho forte e visível. Será que chega para reaparecer na corrida?

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»