Vai uma animação na corrida à nomeação republicana para 2016.

Os candidatos já se aproximam das… duas dezenas e ainda nem sequer parou o desfile de anúncios.

No próximo dia 13, Scott Walker, governador em segundo mandato no estado do Wisconsin, será o próximo nome a entrar em jogo, prevendo-se que ainda possa também avançar o governador do Ohio, John Kasich, juntando-se a Ted Cruz, Rand Paul, Marco Rubio, Mike Huckabee, Carly Fiorina, Rick Santorum, Rick Perry, George Pataki, Lindsey Graham, Ben Carson, Jeb Bush, Bobby Jindal, Donald Trump e Chris Christie. Uff…

Até é difícil ter as contas atualizadas, mas neste momento estão no terreno, como candidatos oficiais, 14 pretendentes à nomeação, sendo provável que, quando começarem os debates, haja pelo menos 16 candidatos.

A este lote já de si enorme podemos ainda juntar o do governador Rick Snyder, do Michigan, e do ex-governador Jim Gilmore, da Virgínia, que já manifestaram a intenção de avançar, embora não tenham ainda comités exploratórios das respetivas candidaturas.

É costume surgirem muitas opções nas primárias, sobretudo do lado republicano. Isso, de resto, poderia revelar a riqueza de correntes ideológicas no GOP (Grand Old Party).

O problema, para os republicanos, é que uma enorme percentagem dos candidatos se situa uma faixa muito à direita, mesmo para a média ideológica dos americanos. E isso já está a perturbar a discussão, a exemplo do que já tinha acontecido há quatro anos.

É claro que nem todos são «para ganhar». Ben Carson, neurocirurgião negro sem percurso na política mas com forte carisma pessoal e um lado populista, é um dos exemplos de quem tenta aproveitar estas primárias republicanas para alargar a sua «marca» por todo o país.

O mesmo sucederá com Carly Fiorina, a única mulher do lado republicano, que simplesmente não está a conseguir descolar de 1 ou 2 por cento nas sondagens. 

Há depois os candidatos «de segmento»: Rick Perry, ex-governador do Texas, Ted Cruz, senador também do Texas, Rick Santorum, ex-senador da Pensilvânia, e Lindsey Graham, senador pela Carolina do Sul, assumem um discurso tão à direita e colado sobretudo aos setores religiosos que não são, verdadeiramente, candidatos nacionais. Podem ter resultados consideráveis nos seus estados e, no geral, na «Bible Belt», mas não têm hipóteses de somar delegados suficientes para sonhar com a nomeação.
 
«Huck» anda muito zangado

O único candidato de «perfil religioso» que mostra números minimamente viáveis é o ex-governador do Arkansas, Mike Huckabee, segundo classificado nas primárias republicanas de 2008.

Nessas eleições, «Huck» conseguiu vencer alguns estados do Sul, embora tenha ficado muitos delegados atrás de John McCain (e ficaria também atrás de Romney, caso o ex-governador do Massachussets não viesse a desistir entretanto) e não será de excluir que volte a conseguir fazê-lo desta vez.

Mas bastaram as primeiras semanas de campanha destes candidatos «Tea Party» para se perceber que nenhum deles tem qualquer capacidade de agarrar o centro político na América.

A forma zangada e, por vezes, desesperada como reagiram às recentes decisões do Supremo (Mike Huckabee falou em «decisões tirânicas», acusando Obama de «controlar o poder judicial»...) diz tudo sobre a posição fora do «mainstream» eleitoral que grande parte do leque de candidatos presidenciais republicanos continua a ter.
 
Donald aproveita a confusão

Bom, mas para se falar de candidatos pouco convencionais e fora dos quadros capazes de se fazerem eleger, o melhor mesmo é passar ao tema... Donald Trump.

 

Fanfarrão, com ideias algures entre o louco e o egocêntrico, Donald Trump volta a tentar os seus «15 minutos de fama». A sua declaração de candidatura, feita um dia depois do favorito Jeb Bush, foi um rol de disparates, com acusações não fundamentadas, a apelar ao medo do «americano comum» em relação a uma suposta invasão de «mexicanos violadores e traficantes de droga».
 
Mesmo pelos seus rivais na corrida republicana, este tipo de posições não são levadas muito a sério. E até já houve consequências desses disparates, com empresas ligadas a mexicanos  e a própria NBC a manifestarem a intenção de quebrar contratos com Trump.

No vídeo acima, Jon Stewart, com a genialidade habitual, desmontou de forma brilhante e muito divertida muitas das pantominices de Donald.

A questão é que Donald Trump está mesmo disposto a «derreter» muitos milhões de dólares da sua colossal fortuna pessoal para dar gás a uma candidatura presidencial. 

Hipóteses para Donald agarrar a nomeação? Zero. Zero, mesmo. E ele sabe disso.

É certo que até surgiram sondagens, nos últimos dias, que dão Trump em segundo lugar no New Hampshire, perto de Bush, e até em segundo lugar a nível nacional, com 12 pontos, a sete de Jeb Bush e uns pontos à frente de todos os outros.

Como explicar isto? Mais simples do que parece: Donald está a aproveitar a confusão de candidaturas a sucederem-se no campo republicano. Com atenção mediática (ainda que pelas piores razões), Trump está a provar que «toda a publicidade, mesmo a má, pode ter efeitos positivos».

Mas é um balão que vai rebentar à primeira adversidade. Donald sabe disso e está a tentar rentabilizar esses tais «15 minutos de fama».

Jeb, Chris, Marco e Scott

Mais a sério, os quatro nomes com hipóteses reais de ganhar a nomeação republicana estão em fases diferentes.

Jeb Bush, como se esperava, destacou-se nas sondagens após o arranque oficial, mas com números ainda não muito impressionantes (perto dos 20 pontos a nível nacional, um pouco menos nos estados de arranque).

Scott Walker, que avança dia 13, está a apostar quase todas as fichas nesses dois primeiros estados, Iowa e New Hampshire. Se ganhar o Iowa (é possível), pode ganhar fôlego para ameaçar o favoritismo de Jeb.

Marco Rubio, a bailar entre ainda ser «tea party darling» e uma moderação no discurso para se tornar viável, continua bem atrás de Jeb Bush na Florida -- e enquanto isso acontecer, será difícil imaginar como pode agarrar a nomeação, por muito que reúna bons ingredientes de juventude, marca hispânica e fluência no discurso.

Quanto a Chris Christie, bom: precisa de um «reset». Está de rastos nas sondagens, partiu tarde, tem mínimos de aprovação na governação da Nova Jérsia. Porque avançou mesmo assim? Porque é um tipo batalhador, duro, carismático. O vento ainda pode virar e passar a favorecê-lo.

Já se viram mudanças mais inesperadas na política americana.

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»