Mais centrista que o irmão, mas menos sólido que o pai. Mais preparado que «W», mas menos experiente que o pai George.
 
Serão justas, estas duas frases para Jeb Bush, nesta fase o mais provável nomeado presidencial republicano para 2016?
 
As curvas e contracurvas da política americana podem estar perto de nos mostrar mais um capítulo a todos os títulos surpreendente: 24 anos depois da eleição geral entre Bill Clinton (então jovem governador democrata do Arkansas) e George H. Bush (Presidente em funções, a tentar reeleição), há boas possibilidades do duelo presidencial norte-americano do próximo ano voltar a pôr frente a frente Clinton «vs» Bush.
 
Hillary Clinton, mulher de Bill, exibe avanço enorme que a coloca como mais-do-que-favorita do lado democrata.
 
Com Jeb Bush, irmão do 43.º Presidente dos EUA e filho do 41.º inquilino da Casa Branca, a história é diferente: ao contrário de Hillary (que domina em todas as correntes do seu partido), ainda tem que convencer a base do seu partido (que está ideologicamente mais à direita do que o candidato em matérias como a imigração). E mesmo que consiga vencer essa primeira etapa, terá que ultrapassar o favoritismo de Clinton, que vence neste momento, nas sondagens, qualquer possível candidato republicano.
 
Mas ainda faltam dez meses para as primeiras votações nas primárias republicanas. E 20 meses para a eleição geral.
 
Os 5/10 pontos que Hillary mantém de vantagem sobre Jeb Bush são perfeitamente recuperáveis. Não sendo a hipótese mais provável, é de admitir que, em janeiro de 2017, estejamos a assistir à tomada de posse do terceiro Bush Presidente: depois do Bush 41 (George Herbert), do Bush 43 (George Walker), será que o 45.º Presidente dos EUA poderá vir a ser… Jeb Bush?
 
John Ellis Bush, Jeb para todos, nasceu a 11 de fevereiro de 1953, em Midland, Texas.
 
Governador da Florida entre 1999 e 2007, liderou dois mandatos com uma plataforma focada em resultados económicos e programas sociais, com destaque para a reforma do sistema estadual de educação.
 
Na parte fiscal, Jeb teve governação claramente «republicana», ao dar prioridade a cortes de impostos (algo que o irmão, nos oito anos na Casa Branca, tomou como um dogma). Também em temas como a posse de armas ou a pena de morte, Jeb foi governador com posição duras, que agradaram ao seu partido.
 
Político com credenciais pragmáticas, manteve apoio sólido apoio republicano no seu estado, mas com boa capacidade de penetração em segmentos tradicionalmente mais democratas: teve 61 por cento do voto hispânico e 14 por cento do voto negro, logo na primeira eleição para governador.  
 
Casado com Columba Bush, mexicana e católica (conheceram-se em León no início dos anos 70, quando Jeb dava aulas de inglês no México), pode, como candidato presidencial, vir a ter apoio signficativo do voto latino (absolutamente decisivo na vitória Obama sobre Romney em 2012).

Em 2012, perante a falta de «chama» da campanha Romney, houve quem propusesse uma nomeação de Jeb, mesmo que em cima da Convenção Republicana de Tampa. Mas, talvez por sentir que ainda era cedo para se falar em «Bush para a Casa Branca», o ex-governador da Florida recusou a tentativa. 

Desta vez, é mais do que claro que Jeb será candidato às primárias: em novembro passado, admitiu ter já comité exploratório. Ou seja: até já tem equipa e está a tratar do financiamnto. 

No «CPAC» da semana passada, espécie de reunião geral das diferentes correntes da direita americana, Jeb Bush tentou convencer os mais renitentes que a sua visão sobre a imigração (claramente mais «compassiva» que a maioria dos republicanos) será um trunfo e não um problema para quem quiser apostar nas suas fichas para 2016. 

Forte em estados importantes para a nomeação, como a Florida e o Texas, Jeb parece estar um pouco mais vulnerável nas disputas de arranque (Iowa, New Hampshire e Carolina do Sul). Scott Walker, governador do Wisconsin, pode ser adversário em segmentos idênticos, mas para já Jeb parece estar a ganhar em toda a linha a disputa dos votos centristas, no duelo com Chris Christie. 

Mitt Romney, na hora de decidir não avançar para 2016, terá sido sensível a opinião maioritária dos financiadores republicanos de que esta seria a hora de Jeb. Será mesmo?

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»