Se do lado republicano a corrida à nomeação presidencial de 2016 está mais do que lançada -- entre o favoritismo de Jeb Bush, a surpresa de Scott Walker e os trunfos de Chris Christie, Marco Rubio, Mike Huckabee ou Rand Paul – no campo democrata o avanço de Hillary Clinton é tão grande que se assiste neste momento a uma espécie de… pousio.
 
As sondagens continuam a dar um avanço à ex-senadora por Nova Iorque entre 50 a 65 pontos sobre todos os possíveis concorrentes à nomeação do Partido Democrata. Números que, nos estados decisivos, mostram valores consistentes.
 
Deste modo, e por muitas voltas que este longo processo ainda possa dar, não se vê outro desfecho para o campo democrata que não seja a nomeação de Hillary.
 
As presidenciais na América são sempre tão complicadas e imprevisíveis que até parece estranho que seja assim.
 
Gerir um avanço tão grande pode também não ser fácil. O processo pede emoção, novidade.
 
No «Weekly Standard», o analista Jay Cost, autor do recente livro «A Republic No More: Big Government and the Rise of American Political Corruption», nota: «Hillary Clinton está à espera de não ter concorrência para a nomeção. Quando é que, na era das primárias, isto aconteceu? Nunca. É algo simplesmente sem precedentes. Ela tem forças, sem dúvidas, mas foi batida há oito anos por um jovem senador do Illinois. E é batível hoje também. Mas isto sugere que as reservas democratas, hoje em dia, são tão pouco interessantes que não oferecem aos votantes uma escolha real.»
 
Será a única candidata democrata? Claro que não.
 
Elizabeth Warren (que em dezembro passado reuniu secretamente com Hillary, tendo as primárias certamente sido o prato forte da conversa) e Bernie Sanders podem disputar o eleitorado mais à esquerda; Jim Webb prepara «ataque» pela direita; Joe Biden e Martin O’Malley estão atentos.
 
Mas, na verdade, ninguém acredita que qualquer destes nomes tenha alguma hipótese de tirar a nomeação a Hillary.
 
Com vantagem tão inequívoca, a 11 meses do arranque das primárias e a 20 meses da eleição geral, como geri-lo?
 
Bom, a primeira resposta de Hillary a este dilema parece ter sido… adiar.
 
Há uns meses, os indicadores de pessoas próximas da ex-secretária de Estado apontavam mais ou menos esta altura (março/abril 2015) para a oficialização da candidatura.
 
Em boa medida, ela já está no terreno: a provável nomeada tem-se desdobrado em entrevistas e em conferências por universidades e até reagiu, como se de uma candidata oficial se tratasse, ao discurso de Obama sobre o Estado da União.
 
O lado do financiamento também está a rolar: há super PAC’s de apoio ao movimento «Ready for Hillary» com muitos milhões já angariados e há toda uma máquina oleada e que, em boa parte, foi herdade de três campanhas presidenciais recentes: Obama 2008, Hillary 2008 e Obama 2012.
 
O que falta, então, para que Hillary Clinton se assuma como candidata? O «timing» ideal. Apenas. Os últimos sinais apontam para um adiamento até ao verão, aí por junho, julho.
 
Seja como for, a organização está em marcha: John Podesta, antigo chefe de gabinete de Bill Clinton e responsável pela equipa de transição entre os mandatos presidenciais de George W. Bush e Barack Obama, já trabalha como responsável máximo pela «operação Hillary».
 
David Axelrod, que fez esse trabalho para Obama, aplaude a escolha: «Podesta é o homem ideal para tomar o controlo das operações».

É uma questão de esperar mais uns meses por Hillary: mas ela vai mesmo aparecer.  
 
Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»