Hillary Clinton sobreviveu ao primeiro grande embate.
 
Sondagem CNN/Opinion Research Corporation, feita já depois do «mailgate», coloca a ex-secretária de Estado à frente em todos os cenários de luta final com os republicanos para novembro de 2016.
 
Hillary mantém também enorme avanço para a nomeação democrata, ainda que tenho baixado um pouco depois da crise da utilização de email pessoal em matéria governamental enquanto chefe da diplomacia americana.
 
A antiga Primeira Dama dos EUA surge como a possível candidata com melhor níveis de aprovação junto do eleitorado (53%), à frente de Joe Biden (43%), Mike Huckabee (35%), Jeb Bush (31%), Rand Paul (31%), Marco Rubio (25%), Chris Christie (25%), Ben Carson (22%) e Scott Walker (21%).

Ainda muita água correrá debaixo da ponte até ao início das votações, em janeiro, mas a vantagem de Hillary parece fundar-se em mais do que mera opinião política: ela assenta no enorme grau de notoriedade que a «frontrunner» tem no eleitorado americano, bem acima da do vice-presidente em funções e muitíssimo superior a qualquer outro nome dos dois campos partidários que possam estar aptos a avançar. 

O que impressiona mesmo no estudo da CNN/ORC é a margem da vantagem de Hillary na eleição geral: vantagem de dois dígitos sobre todos os possíveis opositores republicanos. Clinton bateria Rand Paul por 54-43, ganharia a Jeb Bush e Scott Walker por igual margem (55-40) e esmagaria Mike Hukcabee (56-41) e Ben Carson (56-40).

No campo republicano, Jeb Bush continua a apresentar um pequeno avanço no plano nacional, mas ainda pouco significativo: recolhe 16% das preferências, enquanto Scott Walker tem 13%, Rand Paul 12%, Mike Huckabee 10%, Ben Carson 9%, Chris Christie e Marco Rubio 7%, Ted Cruz e Rick Perry 4%, Lindsay Graham, Bobby Jindal e Rick Santorum 1%.

Mas como a corrida à nomeação partidária tem diversas fases, não se cingindo a uma votação simultânea nos diferentes estados (algo que sondagens como esta simulam), não é líquido que Jeb Bush seja mesmo o republicano em melhores condições, neste momento.

Scott Walker, governador do Wisconsin, continua a surpreender nos estados de arranque (Iowa e New Hampshire) e está a apostar forte também em terreno relevantes nas etapas seguintes, sobretudo a Carolina do Sul.

No lado republicano, a grande questão parece ser, portanto, se Jeb conseguirá obter resultados animadores nos estados de arranque, que lhe permitam chegar aos «grandes prémios» (Texas e Florida) em condições boas para, nesses estados com características que o favorecem e que dão muitos delegados, possa resolver relativamente cedo a questão.

Em relação aos democratas, o «passeio Hillary», mesmo depois do escândalo dos emails, é evidente: vantagem de quase 50 pontos sobre Joe Biden (62-15), com a senadora democrata do Massachussets, Elizabeth Warren, em terceiro, com 10%.

Perante estes dados, fica mais fácil perceber porque é que não há mesmo «plano B» a Hillary no lado democrata. É que, com um avanço destes, e tão consistente garantia que de a mais-do-que-provável nomeada democrata tem vantagem de mais de dez pontos sobre os republicanos, não será um escândalo qualquer a conseguir abalar tamanho favoritismo.

Glenn Thrush, no «Politico», nota: «Não é que Hillary deseje uma coroação. As pessoas que a rodeiam garantem que ela apenas pretende adiar ao máximo o salto para a lava da luta presidencial».  

O problema dos «emails» está «queimado»... Será o financiamento da Clinton Foundation o próximo?
 
Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»