Hillary Clinton dominou as atenções naquele que foi o primeiro debate das primárias do Partido Democrata rumo às Presidenciais dos Estados Unidos de 2016 e consolidou o favoritismo na disputa pela liderança do partido. A candidata, que esteve frente-a-frente com o seu principal rival, o senador de Vermont, Bernie Sanders, teve uma prestação segura e nem mesmo os polémicos emails que têm assombrado a campanha a fizeram cometer erros.
 
O debate, que durou duas horas e foi moderado pelo jornalista da CNN Anderson Cooper, contou com os cinco candidatos à nomeação dos democratas, mas depressa se tornou num duelo entre Clinton e Sanders, com os restantes candidatos relegados para segundo plano. Um frente-a-frente que permitiu sublinhar aquilo que separa os dois opositores, nomeadamente no que toca  às políticas de controlo de armas e em relação às questões económicas.
 
O momento alto, no entanto, terá surpreendido o auditório em Las Vegas. Quando instado a comentar a polémica em torno dos emails que Clintou enviou como secretária de Estado de Barack Obama, através de um servidor privado, Sanders deixou cair as divergências para apoiar a rival.

“Permitam-me dizer algo que pode não ser boa política. Acho que a secretária de Estado tem razão. Os americanos estão fartos e cansados de ouvir falar dos seus emails.”


Um apoio que Clinton agradeceu, com a plateia ao rubro: “Obrigada, eu também, eu também.”

Num país cuja história tem sido manchada por vários episódios de violência devido à posse de armas, nomeadamente em escolas, o controlo de armas era um tema inevitável e, aqui, Clintou atacou Sanders, recorrendo ao passado do senador, isto é, lembrando que o candidato defendeu que os fabricantes de armas não deviam ser responsabilizados legalmente, votando a favor de uma proposta nesse sentido.

“Eu votei contra. Eu estava no Senado na mesma altura e não foi assim tão complicado para mim. Temos de dizer de pé que isto já chega. Não vamos deixar que isso continue”, sublinhou Clinton.

 
As questões económicas estiveram também em cima da mesa e proporcionaram outro momento acalorado da noite. Sanders reiterou que não subscreve os princípios do capitalismo económico, sugerindo que a economia norte-americana se devia inspirar em economias de países europeus como a Dinamarca e a Suécia. 

"Se me considero parte do processo capitalista através do qual tão poucos têm tanto e tantos têm tão pouco? O processo pelo qual a ganância e a imprudência de Wall Street destruíram esta economia? Não.


E Clinton respondeu: "Quando penso no capitalismo penso em todos os negócios que começaram porque temos a oportunidade e a liberdade para o fazer. Não somos a Dinamarca, somos os Estados Unidos da América."

Mais, o moderador questionou Clinton sobre se era uma progressista ou uma moderada e a candidata não teve dúvidas na resposta: "Sou uma progressista", afirmou, destacando que leva a cabo as coisas a que se propõe, mas que sabe procurar terreno comum para estabelecer entendimentos.

De resto, a candidata avançou algumas propostas caso chegue à Casa Branca, com vista à redução da desigualdade no país. Elevar o salário mínimo, esbater as diferenças entre homens e mulheres ou ainda conceder às famílias licença de paternidade, cuja atribuição ainda depende das próprias empresas, foram algumas das medidas elencadas.

Ainda houve tempo para Clinton elogiar a decisão de Washington em restabelecer conversações diplomáticas com Moscovo sobre a intervenção na Síria, defendendo que Obama deve “deixar claro” ao presidente russo, Vladimir Putin, que não pode estar no país para criar “mais caos”.

Numa altura em que se especula sobre uma eventual candidatura do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, no final do debate muitos comentadores e especialistas consideraram que com Hillary Clinton os democratas já encontraram o seu líder.