O Equador admitiu que cortou o acesso à Internet de Julian Assange para que o fundador do WikiLeaks não interfira nas presidenciais dos Estados Unidos. A medida surge depois do WikiLeaks ter divulgado uma série de emails com informações que comprometem a Hillary Clinton na corrida à Casa Branca. Os ficheiros expõem, por exemplo, as ligações da candidata a Wall Street, com a divulgação de discursos pagos que fez para o Goldman Sachs.

Num comunicado escrito em espanhol, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Equador reconheceu que a divulgação de documentos por parte do WikiLeaks pode influenciar as eleições norte-americanas. E, apesar de ter ressalvado que a sua publicação é da inteira responsabilidade da organização, o governante vincou que o Equador não quer, de forma alguma, interferir no processo eleitoral, daí que tenha tomado esta decisão.

“O Equador, exercendo um direito soberano, restringiu temporariamente o acesso Aos sistemas de comunicação da embaixada do Reino Unido.”

O texto rejeita também a ideia de que o Equador tenha sofrido pressões de outros países, nomeadamente dos Estados Unidos.

A notícia de que o Equador tinha cortado o acesso à Internet a Julian Assange, exilado na embaixada deste país em Londres desde 2012, foi anunciada pelo próprio WikiLeaks, na terça-feira. 

Os emails que voltam a comprometer Clinton

O WikiLeaks começou a divulgar uma nova vaga de documentos com informações embaraçosas para Hillary Clinton e anunciou que continuará a fazê-lo até ao dia das eleições, 8 de novembro.

Em causa estão emails pirateados da conta de John Podesta, diretor da campanha da candidata democrata. Quando questionado sobre a veracidade dos ficheiros, Podesta evitou uma resposta direta, dizendo que alguns aspetos podem ter sido alterados.

Os documentos revelam discursos pagos que Clinton fez para o banco de investimentos Goldman Sachs, meses depois de ter deixado o cargo de secretária de Estado. Por cada um deles, recebeu qualquer coisa como 225 mil dólares, cerca de 204 mil euros.

Nestas intervenções, a democrata partilhou opiniões sobre temas variados como a regulação financeira e questões de política externa - as relações com a Rússia e a situação na Síria foram alguns dos assuntos visados.

A título de exemplo, numa palestra feita em 2013, a antiga secretária de Estado afirmou que gostaria de realizar uma intervenção secreta na Síria e deixou críticas à China por não se impor perante as ameaças da Coreia do Norte.

São estes discursos, agora expostos nestes ficheiros, que têm motivado muitas críticas desde o tempo das primárias, que Clinton travou com Bernie Sanders. Os mais indigandos questionam como é que a candidata democrata pode regular eficazmente empresas que lhe pagaram discursos a peso de ouro.

Mas as informações sensíveis que constam nos emails não ficam por aqui.

Os documentos também revelam que a campanha de Clinton tentou adiar as primárias de Illinois para reduzir a possibilidade de um republicano moderado ganhar notoriedade através de uma alegada troca de favores.

E até a CNN, que Trump tem apelidado de “Canal de Notícias Clinton”, parece ficar debaixo de fogo, ao ser divulgado que Donna Brazile, antiga comentadora do canal e atual presidente do Partido Democrata, informou a campanha de Clinton sobre uma pergunta que seria feita à candidata num evento organizado pelo órgão de comunicação, em março.

A democrata já reagiu à polémica, afirmando que nunca teve acesso a este tipo de perguntas e que, mesmo que tivesse, nunca as partilharia com os candidatos.

Brazile, recorde-se, assumiu a presidência do comité democrata depois da demissão de Debbie Schultz, na sequência da divulgação de emails que revelaram um favorecimento do comité sobre Clinton, em detrimento de Bernie Sanders.