O governo afegão está a estudar o restabelecimento da pena de morte por apedrejamento em caso de adultério, denunciou esta segunda-feira a organização dos direitos humanos, Human Rights Watch (HRW).

O restabelecimento da prática marcaria um regresso de uma forma de punição abandonada aquando da saída do governo talibã, há 12 anos.

Segundo informações da AFP, o projeto denunciado pela HRW, prevê que homens e mulheres casados que cometam adultério possam ser «condenados à morte por apedrejamento», enquanto um solteiro que se envolva com uma pessoa casada «receberá 100 chicotadas». As condenações serão perpetuadas em público.

Ashraf Azimi, funcionário do ministério da justiça, confirmou à AFP que existe, de facto, um estudo sobre o apedrejamento. «O ministério, assim como outras instituições afegãs, estão a trabalhar numa lei para punir o adultério, o roubo e o consumo de álcool - de acordo com a lei islâmica», disse Azimi.

Brad Adams, responsável da HRW na Ásia fez um apelo ao presidente afegão para que rejeite a proposta e relembrou que algumas ajudas ao país, como os 16 milhões de dólares prometidos na conferência de Tóquio, dependem do cumprimento dos direitos humanos.

«É chocante constatar que a administração [do presidente Hamid] Karzai possa pensar em restabelecer o apedrejamento doze anos após a queda dos talibãs», disse Brad Adams. «A pena de morte por apedrejamento constitui uma violação de todas as normas internacionais em matéria de direitos Humanos».