Em apenas dois dias, seis vídeos e toda uma campanha de raiva contra Israel. O Estado Islâmico lançou uma iniciativa sem precedentes, esta semana, para convencer os palestinianos a intensificar ainda mais os ataques contra os soldados e civis israelitas.

Desde que o Hamas – que é o mais importante movimento fundamentalista islâmico da Palestina, que não reconhece a existência do Estado de Israel e que, desde junho de 2007, controla a Faixa de Gaza - declarou o “Dia de Raiva”, na passada sexta-feira, os confrontos conheceram novos contornos. Muito sangue: esfaqueamentos, espancamentos, homens abatidos a tiro, fogo aberto em várias direções, apanhando sempre civis. Até bairros tiveram de ser fechados para refrear os ataques. 

O grupo do Estado Islâmico aproveitou a onda para incitar ainda a maior violência contra Israel. No vídeo que publicou na Internet na segunda-feira, exortou os palestinianos a utilizarem todos os meios à sua disposição: facas, carros-bomba, veneno, explosivos, o que for.
 
Um dos vídeos, com o título "Regresso do Terror para os Judeus”, surge um homem mascarado a elogiar os árabes que estão a atacar israelenses. E com a seguinte descrição, segundo a AP: "lobos solitários que se recusaram a ser subjugados e a espalhar o medo entre os filhos de Sião".

A mensagem nesse e nos outros cinco vídeos tem sempre como pano de fundo de fundo ilustrações de como agir, desde cenas de esfaqueamentos a outros ataques recentes realizados por palestinos contra israelenses. Para além dos vídeos, há também artigos com a mesma mensagem de fúria. Nem uns nem outros são fáceis de encontrar na rede de Internet dos países ocidentais, muito menos com tradução.
O Estado Islâmico tem uma máquina de comunicação bastante sofisticada e os vídeos são muito utilizados como meio de propaganda. Se descrevem os judeus e cristãos como infiéis, a verdade é que, até aqui, os vídeos raramente tocavam em Israel. E, embora não tenha uma presença organizada na Cisjordânia ou na Faixa de Gaza, acredita-se que dezenas de palestinianos em Gaza possam inspirar-se na ideologia extremista do grupo.

E os especialistas acreditam que sejam esses militantes os responsáveis ​​por ataques recentes, que têm como objetivo embaraçar o Hamas impondo o Estado Islâmico como força suprema.

Foi há cerca que um mês que a onda de violência entre Israel e Palestina se adensou, obrigando ao maior reforço da segurança dos últimos dez anos. O rastilho foi dado pelos rumores de que Israel estava a conspirar para assumir os lugares sagrados mais sensíveis de Jerusalém, reverenciado pelos judeus como o Monte do Templo e a Mesquita de Al-Aqsa.

Israel negou a acusação e argumentou que a violência estalou com mais força por causa daquilo que designa por “incitamento desenfreado” contra os judeus na comunicação social disseminada pelos grupos islâmicos e da liderança palestiniana.

"O que estamos a assistir aqui é uma combinação do Islão radical e da Internet. Osama bin Laden encontra Mark Zuckerberg. O incitamento nas redes sociais está a culminar em assassinatos. Estamos a ver isso claramente."

A analogia foi feita pelo próprio primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para caracterizar a situação e as suas causas. Falava numa reunião do seu partido Likud, segundo a AP.