Mesmo num país habituado a catástrofes naturais várias vezes ao ano, nada poderia ter preparado as Filipinas para a fúria do Haiyan. Com ventos a rondar os 315 quilómetros por hora e rajadas a atingirem os 380, o Haiyan foi o maior super tufão de sempre, desde que há registos.

As ruas continuam com mortos alinhados nas bermas, os sobreviventes usam o que podem para tapar a cara e mascarar o cheiro dos cadáveres. Não há comida, água potável ou medicamentos, o risco de infeções é enorme, e apesar da ajuda humanitária, pensa-se que os mortos possam ultrapassar as 10 mil unidades, segundo a ONU.

John Ging, diretor de operações do gabinete de coordenação dos assuntos humanitários da ONU, precisou ainda que 660 mil pessoas foram obrigadas a sair das respetivas casas por causa das violentas condições meteorológicas.

Estas são algumas das histórias que chegam das Filipinas.

Pior que o inferno

Magina Fernandez, que se encontrava no aeroporto de Tacloban, descreveu o tufão Haiyan como «pior que o inferno». «Tragam ajuda agora, não é amanhã, é agora!», disse Fernandez à CNN.

«Ainda não falei com ninguém que não tivesse perdido alguém, um familiar próximo», contou à mesma fonte o presidente de Taclobana, Alfred Romualdez, que também lutou contra morte.

Uma família de 30 pessoas desapareceu sem deixar rasto

Quando o Haiyan passou, Daisy Nemeth não estava preocupada. A sua família era bastante chegada e a chamada que confirmava a boa-saúde de todos estaria próxima. No entanto, três dias depois, cerca de 30 elementos da família de Nemeth estão desaparecidos.

«É o meu tio, irmão da minha mãe está desaparecido. Todos os seus filhos, esposa, todos. O meu primo está desaparecido junto com os seus seis filhos, com idades entre os 9 e os 19 anos. Depois tenho muitos, muitos primos desparecidos. Eram

os mais próximos e não os encontramos em parte alguma», disse Nemeth, uma sobrevivente, à CNN.

«Por agora a única coisa que podemos fazer é sobreviver mais um dia»

Jenny Dela Cruz também perdeu a família, a diferença para o caso anterior é que os onze elementos foram mortos, não estão apenas desaparecidos. Entre as vítimas inclui-se a filha de dois anos desta jovem.

Jenny, não sabe dizer como sobreviveu, ela e a criança que carrega há oito meses na sua barriga.

Por enquanto, disse à BBC, só espera sobreviver «mais um dia», «a única coisa» que segundo Jenny é possível fazer neste momento.

Crianças voaram dos braços do pai

Marvin Isanan afirmou que viu as três filhas, de 8, 13 e 15 anos, serem levadas dos seus braços pelo tufão.

Com a mulher, Loretta, Marvin conseguiu encontrar os corpos das duas filhas mais novas. «Falta encontrar a mais velha.

Espero que esteja viva», afirmou este pai devastado por entre lágrimas.

Entre tantos mortos, eis o símbolo da esperança

No olho da tempestade, no aeroporto de Taclioban, estava «Emily» uma grávida que lutou pela vida durante a instalação do caos.

Quis a natureza que entre tantos mortos houvesse uma luz de esperança, e a jovem de 21 anos acabaria por ter o bebé esta segunda-feira num hospital improvisado dentro do aeroporto.

Chama-se Bea Joy Sagales, em homenagem à avó que foi despareceu durante o tufão levada por ondas gigantes.

Ao seu lado uma outra jovem, não-identificada, preparava-se também para ter o seu bebé.

O médico que realizou o parto, o capitão Victoriano Sambale, está, no entanto, preocupado com o risco de infeção, já que não há antibióticos disponíveis.

«Deus estava noutro lado»

«Deus estava noutro lado quando o tufão atingiu as Filipinas», disse o presidente da cidade de Davao, Rodrigo Duterte, que visitou a cidade de Tacloban, a mais afetada, e a sua cidade natal Maasin, na ilha de Leyte.