Haia, na Holanda, recebe a Cimeira de Segurança Nuclear. Mais de 50 líderes mundiais estão reunidos e não há espaço para «distrações». Segundo avança o jornal britânico «The Independent», o almoço do encontro vai ser servido apenas por empregados do sexo masculino, com uniforme. A questão provocou revolta nas redes sociais de um país conhecido por ser liberal em vários domínios.

Segundo avança o «The Independent», a empresa responsável pelo catering da cimeira optou por selecionar homens, com mais de 25 anos de idade, para servir o almoço dos líderes mundiais. Na sala principal, onde decorrem as principais conversas não há mulheres a servir.

E porquê? Em declarações ao jornal holandês «Algemeen Dagblad» o diretor da empresa, Hans Van Der Linde, assumiu que quis «uniformizar o look» dos seus empregados.

«Se estiverem 20 senhores a servir refeições, juntamente com três senhoras loiras, isso estraga a imagem. Todo o pessoal tem de agir da forma mais reservada possível e isso é difícil de acontecer quando se junta senhoras bonitas», terá justificado.

Daphne Kerremans, porta-voz da cimeira, confirmou que foi pedido à empresa de catering que o serviço de almoço fosse feito por empregados com uniforme, mas que deixou ao critério da empresa se o serviço seria feito por homens ou mulheres.

No entanto, Jean-Paul Weijers, diretor da empresa «Protocolbureau», ligada à área do protocolo, e também envolvida na cimeira, afirmou que quando se organiza um evento desta importância «tudo tem de ser levado em consideração. Incluindo questões como esta». Por isso, acredita que a decisão de optar por empregados do sexo masculino, pode estar relacionada com uma tentativa de evitar que os líderes mundiais «se distraiam».

Jean-Paul Weijers lembra ainda que estão presentes líderes do mundo muçulmano e isso também pode ter influenciado a decisão.

Independentemente dos motivos, a decisão motivou muitas críticas nas redes sociais, com várias pessoas a consideram a escolha «pouco holandesa» e «uma violação dos direitos humanos».

Depois da entrevista ao jornal «Algemeen Dagblad», Hans Van Der Linde tentou clarificar as suas declarações à «Rádio 1». Começou por negar que alguma vez tivesse mencionado «cor de cabelo», referindo-se à expressão «loira» e revelou que a sua ideia inicial era usar só mulheres, com um bonito vestido azul uniformizado, mas que o ministério dos Negócios estrangeiros deixou claro que uma «aparência mais sóbria» seria mais adequada.

Em jeito de conclusão, acrescentou, que os empregados sobem um lance de escadas íngreme e, por isso, os vestidos, não seriam práticos».

Apesar de entre os 50 líderes mundiais, presentes em Haia, estarem algumas mulheres, o número de representantes femininas, ao mais alto nível, é muito pequeno.