Pelo menos três pessoas morreram vítimas do ébola em Bamako, capital do Mali, num novo foco da epidemia que se estende pela África Ocidental.

Nenhum destes três mortos tem alguma relação com o primeiro caso de ébola registado no país, uma menina de dois anos e meio, proveniente da Guiné-Conacri.

Trata-se também de um guineense de 70 anos, que viajou do país de origem para a capital do Mali, um amigo que o visitou na clínica Pasteur, onde esteve internado, e um enfermeiro de 25 anos que o auxiliou.

O amigo que esteve com ele morreu de forma repentina, sem sequer ser examinado, já o enfermeiro que acompanhou o doente no hospital acusou malária nos primeiros exames, mas o agravamento do seu estado de saúde forçou a clínica a interná-lo, tendo falecido no próprio dia em que foi confirmada infeção pelo vírus.
 
O doente guineense, cuja morte foi considerada provável, Sekuo Koïta, residia em Kourémalé, onde era líder muçulmano da comunidade, localizada perto da fronteira da Guiné-Conacri com o Mali.

O paciente acusou os primeiros sintomas no dia 17 de outubro, dando entrada em duas clínicas da região com insuficiência renal aguda, uma consequência habitual da doença. No dia 25 viajou de autocarro para Bamako, acompanhado das suas duas esposas, do irmão e do filho.

Dois dias depois de dar entrada na clínica Pasteur faleceu, sem ser diagnosticado ao ébola, mesmo vindo de uma região com uma elevada taxa de contágio.

Devido a este novo foco da epidemia, as autoridade colocaram 90 pessoas de quarentena, assim como a própria clínica, com cerca de 30 cidadãos no interior. Destas pessoas, 28 são trabalhadores da área da saúde, um dos quais apresenta os sintomas iniciais da doença, outros 45 são familiares e pessoas próximas do enfermeiro que foi contagiado, e constam ainda nestes números dez soldados da ONU.

Sekuo foi transferido e enterrado na localidade onde residia, após uma cerimónia religiosa onde não houve qualquer proteção do cadáver. Nos dias que se seguiram cinco membros da sua família, na Guiné, adoeceram, os que já o haviam acompanhado, e ainda uma outra filha. Dois de eles também morreram e foram enterrados de modo inseguro, os outro três encontram-se no centro de tratamento do ébola Guéckédou, onde um deles já testou positivo ao vírus.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o surto do ébola já registou 14098 casos e 5160 mortes.