Valentim Loureiro revela que o seu relacionamento com «Nino Vieira esfriou desde que, o na altura Presidente da Guiné-Bissau, condenou à morte um vice-presidente e cinco militares por tentativa de golpe de estado em 1986. Em declarações à TVI, o major não deixa, no entanto, de fazer referência ao carácter «humano» daquele que também foi «um guerrilheiro temido pelas tropas portuguesas»

O facto de «Nino» manter contacto com a Indonésia, numa altura em que esta era uma matéria sensível para Portugal, também contribuiu para a decepção do Major, que confessou que nos últimos tempos já não se falavam.

Valentim Loureiro considera que o futuro próximo da Guiné «não vai ser fácil». Quanto ao facto dos atentados serem previsíveis, afirma que «quem conhece a Guiné sabe que tudo isto poderia acontecer». «A democracia em África e concretamente a da Guiné, não é uma democracia europeia», acrescenta.

Questionado sobre a hipótese do atentado estar relacionado com negócios de droga, o Major não descarta a hipótese, embora não acredite que «Nino» Vieira esteja directamente envolvido em negócios obscuros, mas sim empenhado em deter o tráfico. «Acredito que tivesse atacado quem estivesse envolvido no tráfico», acrescenta.

Valentim Loureiro exerceu o cargo de cônsul entre 1982 e 1999, ano em que «Nino» Vieira foi derrubado do poder por Ansumane Mané.