O suspeito guineense de ser o responsável pela ida para a Guiné-Bissau dos 74 sírios que viajaram para Portugal com passaportes falsos foi posto em liberdade, disse à Lusa fonte judicial.

O homem, de 51 anos, comerciante, foi posto em liberdade na terça-feira à noite após 14 dias detido nas instalações da Polícia Judiciária em Bissau.

O suspeito é apontado no relatório de uma comissão de inquérito do Governo guineense de ser o autor da ida de Marrocos para Bissau dos sírios, tendo tratado da sua logística na capital guineense até ao seu embarque forçado no avião da TAP para Portugal, a 10 de dezembro.

A fonte não especificou as razões do regresso à liberdade do suspeito.

Em conexão com este caso e referenciado como sendo o autor da «pressão via telefónica» do pessoal da TAP para o transporte dos sírios, o ministro do Interior guineense, António Suca Ntchama, foi ouvido no Ministério Público na segunda-feira.

Suca Ntchama foi ouvido enquanto principal suspeito do incidente com o avião da TAP, confirmou Basílio Sanca, advogado do governante.

O advogado de Suca Ntchama disse à Lusa que continua a aguardar pelo despacho dos magistrados que ouviram o ministro para saber se o governante fica com alguma medida de coação ou se é ilibado.

«Tanto eu, na qualidade de advogado, como o ministro Suca Ntchama, não recebemos nenhuma notificação com o despacho do Ministério Público», afirmou Basílio Sanca.

O ministro colocou o lugar à disposição do Presidente guineense de transição, mas continua a ser visto no ministério do Interior, escoltado por homens armados e fardados.

O governante foi ouvido depois de terem sido divulgadas parte das conclusões da comissão de inquérito do Governo guineense, que referiu que Ntchama «exigiu» o embarque dos sírios, alegando questões de segurança nacional.

Em reação a estas conclusões da comissão de inquérito, o Governo português reiterou hoje que o «embarque forçado» de passageiros sírios por coerção de autoridades guineenses é «inaceitável», e aguarda que sejam retiradas as «consequências» e que seja garantido que situações semelhantes não se repetirão.

«O Governo português reitera que o sucedido (...) é absolutamente inaceitável», declarou o ministério de Rui Machete.

«Portugal aguarda ainda que as autoridades guineenses retirem todas as necessárias ilações e consequências do ocorrido, incluindo, conforme anunciado, a responsabilização dos intervenientes no processo. Também ainda não foi cabalmente garantido que situações similares não se poderão repetir no futuro, questão essencial no nosso processo de reavaliação sobre a existência de condições de segurança no aeroporto de Bissau para a retoma da rota», sublinha o comunicado do ministério.