O ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, Delfim da Silva, lamentou, esta quinta-feira, o incidente com as autoridades portuguesas sobre a viagem num voo da TAP de 74 imigrantes sírios com passaportes falsos.

«Lamentamos o sucedido, vamos apurar responsabilidades e tirar consequências», disse o chefe da diplomacia guineense, após um encontro com o encarregado de negócios da embaixada de Portugal, Teles Fazendeiro.

«O que aconteceu não é do interesse da Guiné-Bissau, não ajuda ninguém, não ajuda (...) as relações com Portugal, nem os nossos compatriotas em Portugal. Nem ajuda às relações com a Europa», disse Delfim da Silva.

Um grupo de 74 passageiros sírios proveniente de um voo da Guiné-Bissau foi, na terça-feira, retido no aeroporto de Lisboa por uso de passaportes falsificados da Turquia.

Segundo o Instituto da Segurança Social (ISS) o grupo de refugiados é constituído por 51 adultos e 23 menores.

«Neste momento, o Instituto da Segurança Social está a efetuar a avaliação e caracterização individual e familiar de todos os envolvidos de forma a garantir respostas de vida integradas que respeitem em absoluto as suas características e direitos», refere uma nota do ISS.

Os cidadãos sírios que chegaram a Lisboa na passada segunda-feira terão pago cerca de cinco mil dólares, três mil e seiscentos euros, pelos documentos falsos a uma rede de imigração ilegal, avança o jornal «i» esta quinta-feira.

A maior preocupação das autoridades nacionais, neste momento, é a possibilidade de existirem radicais entre os 74 refugiados que pediram, entretanto, asilo político a Portugal.

A TAP está disponível para devolver o dinheiro pago por quem comprou bilhetes para voar de Portugal para a Guiné-Bissau ou em sentido inverso, continuando à procura de alternativas para quem tinha viagem marcada para hoje.

«Quem pedir o reembolso do bilhete, terá o dinheiro de volta imediatamente», garantiu à Lusa o porta-voz da companhia aérea.

A TAP suspendeu na quarta-feira a operação para Bissau «perante a grave quebra de segurança ocorrida» no embarque de um voo para Lisboa na terça-feira, que implicou o transporte de 74 passageiros sírios com passaportes falsos.