Cerca de 50 por cento das mulheres da Guiné-Bissau foram vítimas de Mutilação Genital Feminina, disse Laudolino Medina, presidente da organização não-governamental Associação dos Amigos das Crianças (AMIC), refere a Lusa.

«Não há um estudo aprofundado sobre a temática, mas números não oficiais apontam para 50 por cento de mulheres vítimas de excisão no país», afirmou Laudolino Medina, no Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, que hoje se assinala.

Segundo o presidente da AMIC, a prática da «mutilação genital feminina está a generalizar-se por todo o país».

«Hoje assistimos a carnavais de mutilação genital feminina, mesmo em Bissau», referiu, sublinhando que não existe uma lei no país que puna de forma clara aquela prática.

Em Junho, o Governo guineense e a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançaram uma iniciativa para combater a prática da mutilação genital feminina.

A iniciativa, «Acelerar a mudança para o abandono da mutilação», vai, durante os próximos três anos, promover acções de sensibilização nas regiões de Bafatá, Gabu, Oio e Quinará, principais zonas onde o fenómeno da excisão é ainda bastante acentuado junto das raparigas.

Dados das agências das Nações Unidas, baseados nos inquéritos aos indicadores múltiplos de 2006, apontam que 44,5 por cento das mulheres guineenses entre os 15 e os 49 anos de idade sofreram mutilação genital, o que prova que as estratégias utilizadas até aqui para o combate ao fenómeno não produziram os efeitos esperados.

Em Março, o parlamento guineense não conseguiu fazer aprovar um projecto-lei que pretendia proibir a prática, devido a divisões claras entre os deputados guineenses sobre o assunto.

A nova ministra da Mulher, Família e Coesão Social e Luta contra a Pobreza, Fátima Fati, anunciou já que vai tomar «fortes medidas» para acabar com a prática da mutilação genital feminina no país.