Um museu nova-iorquino tem uma sanita em ouro para uso dos visitantes, numa das casas de banho do edifício. A peça chama-se “América” e foi inaugurada sexta-feira pelo autor italiano.

Maurizio Cattelan, conhecido pelas instalações polémicas de índole politica, chegou ao conceituado museu Guggenheim, em Nova Iorque. O “trono” em ouro maciço de 18 quilates está instalado numa das casas de banho do 14.º andar do museu.

A peça de ouro substituiu, assim, o sanitário de porcelana que estava naquele andar. Os visitantes que pagarem para entrar no museu, têm a oportunidade de experimentar gratuitamente o “trono” de ouro.

Vai ser um teste à peça”, disse Maurizio Cattelan em tom satírico durante a apresentação do sanitário.

O artista plástico não revelou totalmente a sua inspiração, disse que foram vários os temas que o levaram à conceção da peça. O uso dado aos sanitários comuns, a impossibilidade de ter o público a interagir com a arte e também a corrida à Casa Branca. 

Questionado sobre o título da obra, "América", Maurizio Cattelan afirmou que "neste caso, o título veio depois, e foi uma questão de tentar desconstruir o objeto."

Os curadores do museu reconhecem a coragem e ousadia do escultor por permitir “acesso sem precedentes para algo de valor inquestionável”, num ambiente onde normalmente as pessoas são proibidas de tocar nas peças de arte.

Mas a ousadia de Cattelan foi mais longe. Numa entrevista publicada pelo próprio museu, o artista plástico italiano confessou que a sanita serve também como metáfora ao percurso do candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, pelo poder associado ao ouro que, neste caso, dá forma a um “trono” americano mais comum.