É difícil imaginar a Síria como um país distribuído por cidades cosmopolitas, com dinamismo económico, movimentação nas ruas, com escolas e hospitais nas melhores condições. Depois dos últimos cinco anos, é difícil imaginar a Síria como um destino turístico, onde a História e a beleza arquitetural eram sinónimos do grande fluxo de estrangeiros nas principais cidades. Há realidades que, passados cinco anos de batalhas intensas e ininterruptas, parecem nunca ter existido.  

Os números não deixam dúvidas quanto à intensidade desta guerra: 50% da população fugiu do país e mais de 500 mil pessoas perderam a vida. De acordo com a Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), três em cada quatro sírios vivem na pobreza, 4,8 milhões pediram asilo aos países vizinhos e 900 mil têm a Europa como horizonte. Em relação à saúde, 11 milhões de pessoas precisam de assistência médica, e 25 mil casos de traumas são registados todos meses.

O site Imagur publicou mais de 100 imagens comparativas do antes e do depois de Alepo, a segunda maior cidade do país. Selecionámos alguns exemplos elucidativos da destruição maciça do património histórico e cultural da cidade que começou a ser construída no século IV.   

Em 1986, a Cidade Antiga de Alepo foi reconhecida pela UNESCO como Património da Humanidade, onde mesquitas, palácios ou torres, eram pontos de referência para qualquer turista. De há dois anos para cá, esta é uma das zonas estratégicas que as forças do Governo do presidente Bashar al-Assad tentam controlar, numa tentativa de por fim ao único canal de abastecimento dos bairros rebeldes, proveniente da Turquia.