A Rússia disse “rejeitar categoricamente” as acusações de crimes de guerra que lhe têm sido apontadas pela comunidade internacional. Em causa está a alegada responsabilidade russa em bombardeamentos que atingiram hospitais da Síria e que provocaram dezenas de mortos, incluindo crianças, na segunda-feira.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou esta terça-feira que os que fazem essas declarações não são capazes de "provar as suas acusações”, que, destacou, "são infundadas".

"Rejeitamos categoricamente essas declarações, até porque quem faz essas declarações não consegue provar as acusações, que são infundadas.”

Na segunda-feira, mais de 50 pessoas morreram em ataques que atingiram quatro hospitais e uma escola em regiões do norte da Síria que estão sob o controlo dos rebeldes que lutam contra o regime de Bashar Al-Assad.

A Turquia é um dos países que responsabilizou Moscovo pelos ataques. O ministro dos Negócios Estrangeiros turco disse que os russos cometeram “um óbvio crime de guerra”.

As Nações Unidas sublinharam que “os ataques dirigidos intencionalmente” a hospitais e unidades de saúde constituem um “crime de guerra”.

Os bombardeamentos de segunda-feira atingiram dois hospitais – um para mães, outro para bebés – e uma escola em Azaz, uma região perto da fronteira com a Turquia, que acolhe muitos refugiados. Um oficial turco afirmou à agência Reuters que a zona foi atingida por sete mísseis russos. O ataque provocou 34 mortos e dezenas de feridos.

Também na segunda-feira, mas em Maarat al-Numan, dois hospitais foram bombardeados. As unidades de saúde são geridas pelos Médicos Sem Fronteiras. A organização humanitária afirmou que os hospitais foram atingidos por quatro mísseis durante 90 minutos. 

“Foi um ataque deliberado contra uma instituição médica. A destruição da infraestrutura deixa 40 mil pessoas sem cuidados básicos de saúde numa zona do conflito”, afirmou Massimiliano Rebaudengo, responsável pela missão.

O presidente da organização, Mego Terzian, a confirmou à agência Reuters que “sete pessoas morreram” e que “oito elementos dos Médicos Sem Fronteiras estão desaparecidos”.

Mego Terzian acrescentou ainda que os autores dos ataques só podem ser “o governo sírio ou os militares russos”, lembrando que já não é a primeira vez que os hospitais dos Médicos Sem Fronteiras são alvos na Síria.