Tem sido chamado de palhaço, populista e excêntrico, mas nem por isso perdeu força nas eleições de domingo na Guatemala, que o elegeram Presidente. Jimmy Morales, 46 anos, ex-comediante e animador de televisão sem qualquer experiência política, prepara-se para chefiar a maior economia da América Central, e não receia os críticos das suas medidas, como professores localizáveis através de GPS e crianças com smartphones.
 
 “Nenhum outro candidato foi chamado de tudo, desde palhaço a populista, mas os smartphones [para todas as crianças] são a ideia menos populista”, defendeu Morales, em entrevista citada pela agência Reuters, na terça-feira.
 
O novo presidente, que entrará em funções em janeiro, quer começar por um programa-piloto em escolas de 45 dos municípios da Guatemala e que não custará um tostão ao Governo.

“Vamos dar às companhias telefónicas paredes em escolas e em edifícios do Governo para que possam ser pintadas com as suas marcas, como forma de compensação”, explicou, acrescentando ter feito já contactos com os operadores Telefonica, Tigo e Claro, os principais a operar na Guatemala.
 
Jimmy Morales ganhou as eleições sem explicar como vai combater a violência e a corrupção. Aproveitou o escândalo que culminou na destituição do antecessor Otto Perez e surfou a onda de indignação dos eleitores, prometendo combater a corrupção.
 
Para o novo Presidente, a Guatemala deve focar-se no reforço das investigações criminais para combater as ilegalidades, em vez de recorrer aos militares como forma de intimidação.
 
 Alguns fundadores do seu partido de centro-direita, a Frente de Convergência Nacional (FCN), são militares veteranos e muitos guatemaltecos não esqueceram a guerra civil entre 1960 e 1996, em que morreram milhares de indígenas maias.

“Apostamos mais em investigações criminais. Investir em segurança não fará nada se o sistema judicial não funcionar”, argumentou.
 
Para os militares reserva as grandes construções. Morales equanciona a possibilidade de colocar um gabinete de engenharia no seio militar, considerada uma das instituições menos transparentes do país, para construir estradas e pontes.

“Uma vez que não estamos em guerra, não temos necessidade de combater”, defendeu Morales, considerando que o país pode poupar dinheiro recorrendo aos militares para a construção de infraestruturas.