Uma agente da Guardia Civil foi suspensa por se ter ausentado durante 10 minutos porque estava menstruada, avança o El País, que cita a defesa da agente.

A defesa alega que, no dia 8 de março, a menstruação apareceu de forma inesperada durante uma patrulha, a realizar atividades rotineiras e de vigilância na rotunda de uma zona portuária, e teve de se ausentar durante cinco ou dez minutos para colocar um penso higiénico para não sujar nem o uniforme nem o carro patrulha.

A casa de banho estava a cerca de 300 metros do local onde se encontrava e quando a guarda regressou ao carro, encontrou o tenente a efetuar uma ronda de inspeção.

Ao explicar ao seu superior o que a tinha feito ausentar-se de forma inesperada, ouvi o tenente acusá-la de mentir e foi repreendida com gritos, situação testemunhada pelo seu colega de serviço.

Não inventes desculpas, vais à casa de banho antes ou depois do ponto de controlo mas não durante", disse o tenente aos gritos.

Apesar da reprimenda, a agente acreditou que o assunto estava terminado, até porque o tenente lhe disse que "da próxima vez" a corrigia. Mas mudou de opinião.

Segundo vários agentes, quando a agente regressou ao quartel, nervosa e a chorar, tentou denunciar o comportamento ao capitão da esquadra, mas este recusou-se a aceitar a queixa por não ser seu superior hierárquico, admitindo ainda que o tenente lhe tinha pedido para que não falasse com ela. 

Perante esta atitude, a agente alegou que estava indisposta e abandonou o serviço.

Cinco dias depois, pediu novamente para apresentar queixa e foi informada que para seguir com a mesma tinha de ser entrevistada pelo seu superior hierárquico: o tenente que a tinha repreendido.

A queixa foi apresentada a 13 de março e, dois dias depois, o tenente apresentou uma queixa disciplinar contra a agente por esta "não ter agido em conformidade com as ordens recebidas" e se ter ausentado do posto sem autorização.

A agente pediu, em resposta, que seja ativado um protocolo contra o assédio laboral na Guarda Civil.