Há mais de 40 horas que 10 guardas prisionais e dezenas de presos são mantidos reféns na cadeia de Guarapuava, no estado brasileiro do Paraná. Um 11º refém, um agente penitenciário que era mantido como refém, foi libertado na terça-feira. Por causa da diabetes de que padece, foi hospitalizado para receber tratamento médico.

De acordo com os jornais «Gazeta do Povo» e «A Notícia», o homem foi libertado em troca da garantia de almoço para os presos.

Outro agente penitenciário que também era mantido refém foi libertado e imediatamente hospitalizado para tratar queimaduras com cola quente a que foi sujeito durante o cativeiro.





O motim na prisão de Guarapuava tem sido caraterizado por uma enorme violência. Circulam imagens nas redes sociais e nos meios de comunicação social de reféns nus, nos telhados da cadeia, enquanto são torturados e espancados com bastões, tesouras e facas. De acordo com o jornal «Gazeta do Povo», dois presos foram atirados de cima do telhado. Um sofreu uma fratura e o outro um traumatismo craniano. Outros seis presos atiraram-se, por iniciativa própria, do telhado, por medo de serem torturados e espancados pelos líderes do motim.



Muitas famílias dos reféns montaram acampamento frente à prisão, para poderem acompanhar a situação mais de perto.

De acordo com o portal de notícias paranaense «CGN – Central Gazeta de Notícias», 28 reclusos da Penitenciária Industrial de Guarapuava começaram a ser transferidos na manhã desta quarta-feira para outras cadeias do Paraná e de Santa Catarina. Tratam-se dos presos que lideravam o motim, que terá já terminado, após um acordo alcançada há poucas horas. Esta transferência era uma das exigências dos amotinados.

Contudo, nove agentes penitenciários e sete presos continuam feitos reféns e só devem ser liberados assim que se concretizarem as transferências.

Os presos responsáveis pela rebelião exigem melhoria nas condições da cadeia, assim como a transferência de alguns detidos para regime semi-aberto. Além disso, querem mudanças na direção da cadeia. A prisão de Guarapuava tem 240 reclusos e é tida como um modelo em todo o Brasil, já que permite aos presos que trabalhem e estudem enquanto cumprem pena. Foi inaugurada há 15 anos.

A prisão de Guarapuava acolhia também alguns dos reclusos responsáveis pelo motim de agosto na prisão de Cascavel, também no estado do Paraná.