Oficialmente acusado de dez homicídios e outro na forma tentada, Lonnie Franklin Jr., o homem suspeito de ser o assassino em série apelidado de “Grim Sleeper”, pode afinal ter morto pelo 180 pessoas entre 1985 e 2007.

O homem de 63 anos, ex-mecânico da polícia de Los Angeles, começou a ser julgado esta terça-feira pelo homicídio de uma adolescente e nove mulheres, e durante os próximos quatro meses a acusação vai tentar provar a autoria dos crimes.

A maioria das vítimas eram mulheres jovens, com idades entre os 15 e os 35 anos, prostitutas da zona de Los Angeles, que foram atacadas sexualmente antes de serem mortas. A imprensa apelidou Fraklin de “Grim Sleeper”, num trocadilho com “Grim Reaper”, nome dado à personificação da morte, porque, aparentemente, o assassino parou de matar entre 1988 e 2002 ("sleeper" pode ser traduzido como adormecido, ou dorminhoco). 

Os homicídios foram investigados durante vários anos pela polícia local, mas sem sucesso.

Franklin Jr. nega todos os crimes, e até 2010, não era considerado suspeito. Foi só quando o ADN do seu filho foi analisado – preso por motivos não relacionados – que se descobriram as semelhanças com vestígios encontrados nas cenas de crime. A técnica, conhecida como “busca familiar”, levantou suspeitas de que o detido era parente próximo do assassino em série procurado. 

Quando a polícia revistou a sua casa, foi encontrada uma coleção de mais de 1.000 fotografias de mulheres e várias centenas de horas de vídeo. Das pessoas vistas nas fotos, as autoridades acreditam que pelo menos 180 podem ter sido atacadas. Uma das mulheres vista nas fotografias era Janecia Peters, a última vítima, cujo corpo foi encontrado a 1 de janeiro de 2007, escondido sob uma árvore de natal, a oito quilómetros da residência de Franklin. Raio onde também foram encontrados os das outras vítimas.

A prioridade da acusação é provar que Franklin foi o autor destes dez homicídios, mas as autoridades estão a analisar outros casos arquivados de assassinatos que podem ter sido cometidos pelo “Grim Sleeper” – alguns investigados nos anos 70. Porém, mesmo que se prove que Franklin assassinou outras mulheres, o foco da acusação vai assentar nestes dez homicídios, para que o julgamento não se atrase ainda mais.

Muitas destas mulheres foram mortas a tiro e os seus corpos deixados em becos e caixotes do lixo. Como escreve a CNN, a vítima que sobreviveu ao alegado ataque de Franklin em 1988 – a quem corresponde a tentativa de homicídio - será uma testemunha chave deste caso, já que identificou o homem como o seu agressor.

Enietra Washington contou às autoridades que foi alvejada no peito e violada, antes de conseguir escapar. O ferimento indicava o uso de uma arma de calibre .25, o mesmo da que foi encontrada em casa do suspeito e que terá sido usada para matar outras sete mulheres.