Cerca de 200 polícias tunisinos manifestaram-se hoje frente ao Palácio da Justiça, na capital, num dia em os jornalistas estiveram em greve.

Os polícias criticaram um inquérito aberto contra um dirigente do seu sindicato, que acusou os juízes de estarem associados aos «jihadistas» [combatentes islâmicos].

Três representantes do Sindicato Nacional das Forças da Ordem Tunisinas (SNFT) foram convocados, entre quarta e sexta-feira, para responder a perguntas de um juiz de instrução, depois de uma conferência de imprensa durante a qual acusaram os juízes de libertar «jihadistas» detidos pela polícia.

O Ministério Público iniciou «o processo (...), o sindicato revelou a implicação de juízes e dirigentes da segurança com nos terroristas», disse à agência noticiosa AFP o advogado dos representantes sindicais, Lazhar Akremi.

Por seu lado, os jornalistas cumpriram hoje um dia de greve em protesto contra as pressões das autoridades, depois de um repórter ter sido detido por acusar o Procurador da República de fabricar provas contra um repórter de imagem.

O sindicato Nacional dos Jornalistas Tunisinos, que convocou o protesto, quantificou em mais de 90% o nível da adesão.

Centenas de jornalistas, políticos e ativistas juntaram-se na sede do sindicato, em Tunes, em apoio aos grevistas.

Os slogans «Liberdade de Imprensa, Justiça independente» e «Liberdade, liberdade para a imprensa tunisina» foram alguns dos mais ouvidos.

Muitos jornalistas acusam os islamitas que dirigem o governo de reduzirem a liberdade de imprensa e procurarem controlar as políticas editoriais dos órgãos de comunicação públicos, em particular através da nomeação de diretores obedientes.

O partido islamita Ennahda, o poder judicial e a polícia têm sido acusados repetidamente por partidos da oposição e grupos da sociedade civil de procurarem reduzir a liberdade de expressão ganha na revolução de 2011 que iniciou a Primavera Árabe.

No final de agosto, dois «rappers» foram condenados a 21 meses de prisão por terem cantado canções consideradas difamatórias para a polícia.