Sindicatos de vários países europeus estão a negociar uma greve europeia dos tripulantes de cabine da companhia de aviação Ryanair em protesto pelas condições de trabalho, disse hoje o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).

Em comunicado, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil informou que foi dado "início aos procedimentos necessários para a realização de uma greve europeia dos tripulantes de cabine da Ryanair contra as condições de trabalho existentes nessa empresa irlandesa".

Fonte oficial do SNPVAC disse à Lusa que os sindicatos envolvidos na negociação são, além de Portugal, França, Alemanha, Espanha, Itália, Bélgica e Holanda.

Segundo o sindicato, não é só em Portugal que a Ryanair comete “incumprimentos e ilegalidades” e as “pressões e ameaças” feitas este domingo a tripulantes que se recusaram a voar para Portugal para substituir colegas em greve “antecipou algo que já há muito se falava entre os sindicatos europeus, ou seja, uma greve a nível europeu contra as condições de trabalho existentes na Ryanair”.

O sindicato pede ainda que “o Governo intervenha imediatamente e imponha à Ryanair o respeito pela soberania nacional e pelas leis portuguesas”.

Os tripulantes de cabine portugueses da Ryanair entraram no domingo em greve pelo segundo dia não consecutivo. A greve teve uma adesão de 90%, com 27 voos cancelados, segundo números do sindicato do setor.

A paralisação volta a acontecer quarta-feira (04 de abril), cumprindo-se o terceiro dia de greve não consecutivos (quinta-feira santa, domingo de Páscoa e quarta-feira).

Com a greve os trabalhadores querem exigir que a transportadora irlandesa aplique a legislação nacional, nomeadamente em termos de gozo da licença de parentalidade, garantia de ordenado mínimo e que retire processos disciplinares por motivo de baixas médicas ou vendas a bordo dos aviões abaixo das metas definidas pela empresa.

Este domingo, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) denunciou que a Ryanair substituiu grevistas portugueses recorrendo a trabalhadores de outras bases europeias, uma prática que vai contra a lei.

O mesmo sindicato avançou que a operadora chegou inclusivamente a ameaças de despedimento, acusação que a empresa se escusou a comentar.

Num memorando enviado aos trabalhadores, a que a Lusa teve acesso, a Ryanair admitiu ter recorrido a voluntários e a tripulação estrangeira durante a greve dos tripulantes portugueses.

Também no domingo, a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) anunciou ter desencadeado uma inspeção na Ryanair em Portugal para avaliar as irregularidades apontadas pelo SNPVAC.