Várias manifestações estão a cortar, esta terça-feira de manhã, a circulação em várias estradas e autoestradas da Catalunha e provocaram filas de muitos quilómetros.

As enormes filas de trânsito são consequência das marchas lentas promovidas em dia de greve geral, para protestar contra a ação policial de domingo, durante o referendo.

A greve geral convocada para esta terça-feira na Catalunha por cerca de 40 organizações sindicais, políticas e sociais está a ter uma "adesão muito elevada" em setores como os transportes, o comércio ou a agricultura.

De acordo com a CGT, numerosos piquetes de bairro ou cidade organizados em comités de greve locais estão a mobilizar as pessoas para a greve nas ruas e em áreas industriais.

A estrutura sindical afirma ainda que foram instaladas "barricadas" em diversas áreas de Lleida, forçando o encerramento de empresas.

Uma percentagem muito elevada do pequeno comércio está fechada nas principais populações da Catalunha.

Em Barcelona, os transportes públicos operam com serviços mínimos nos horários de pico (entre as 06:30 e as 09:30 e entre as 17:00 e as 18:00), enquanto no resto do dia a mobilidade não é garantida.

Milhares de pessoas estão concentradas na sede do Partido Popular na cidade. Além da polícia catalã, também os bombeiros se colocaram entre a população e o edifício para evitar problemas, conta o La Vanguardia. Os manifestantes gritam contra "as forças de ocupação" e lançam boletins de voto do referendo contra a sede do PP.

Há também uma manifestação de estudantes na Praça da Universidade.

Os portos de Barcelona e Tarragona também estão "praticamente parados" devido à adesão quase total que a greve está a ter por parte dos estivadores, refere o sindicato.

O presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, apelou aos catalães para que mantenham os protestos pacíficos e não se deixem levar por "provocações".

A greve geral convocada para hoje na região realiza-se em protesto contra a interferência do Estado espanhol no referendo de domingo sobre a independência, com "violência policial desproporcionada".

A paralisação é uma reação da região à repressão policial usada por Madrid para impedir os catalães de irem às urnas a 01 de outubro, que teve como resultado mais de 800 feridos.

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Do grupo impulsionador do protesto fazem parte, além da Assembleia Nacional Catalã (ANC) e do Òmnium Cultural, as duas maiores centrais sindicais da Catalunha - CCOO e UGT -, a Associação Catalã de Universidades Públicas (ACUP), o Conselho Nacional da Juventude da Catalunha, a Federação de Assembleias de Pais e Mães da Catalunha (FAPAC), as Organizações pela Justiça Global e a União de Federações Desportivas da Catalunha.

O sindicato CSIF, o mais representativo da administração pública, indicou que, embora lamente "os acontecimentos violentos" de 01 de outubro, não participará na greve geral de hoje, tendo reiterado a sua posição firme em defesa do Estado de Direito.

Os deputados e senadores dos partidos independentistas ERC e PDeCAT anunciaram que se juntarão hoje à paralisação na Catalunha e não irão às reuniões parlamentares previstas no Congresso e no Senado.