Nikos Pappas, chefe de gabinete do novo primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, mostrou-se esta terça-feira muito crítico da forma como o primeiro-ministro cessante, Andonis Samaras, passou a pasta ao novo chefe do Executivo. Andonis Samaras estava ausente quando Alexis Tsipras chegou à Mansão Maximos, a residência oficial do primeiro-ministro, em Atenas, e Tsipras teve de subir sozinho as escadas da sede do governo grego.

O facto de Samaras não estar lá para dar as boas vindas a Tsipras e para informar o primeiro-ministro sobre as novas funções causou uma reação «feroz» por parte do Syriza, que viu na atitude de Andonis Samaras «um desvio de protocolo sem precedentes», refere o site Greek Reporter.

A agência de notícias da Macedónia (MIA) acrescenta que não só não houve uma reunião de cortesia para assinalar a entrada em funções de Tsipras, como a residência foi encontrada completamente vazia. Samaras não só levou com ele toda a papelada, mas também os telefones e até o sabonete das casas de banho.

De acordo com o correspondente da MIA em Atenas, o partido Nova Democracia, de Samaras, nega que o comportamento da equipa governativa cessante tenha sido pouco adequada.

«Nikos Pappas sabe muito bem que todos os detalhes foram acertados previamente, em conversas telefónicas, entre os dois chefes de gabinete», referiu o porta-voz da Nova Democracia.


O mesmo porta-voz sublinhou que foi o próprio Tsipras que rompeu com a tradição, ao não prestar o juramento religioso em cima da Bíblia, feito antes de o vencedor das eleições legislativas se apresentar ao Presidente da República.

O processo de transição de pasta, que normalmente tem lugar após uma mudança de liderança no país, foi tratado a um nível hierárquico inferior, entre os chefes de gabinete de Tsipras e de Samaras.

O porta-voz da Nova Democracia reitera que o chefe de gabinete do ex-primeiro-ministro, Kostas Bouras, recebeu um telefonema do chefe de gabinete de Tsipras, Nikos Pappas, que lhe pediu para informar o novo secretário do primeiro-ministro, Dimitris Tzanakopoulos, sobre as funções da sede do governo e proceder à entrega de pastas.

O Syrisa insiste que se tratou de um evento «sem precedentes», já que não havia ninguém a representar o governo cessante e realça que esse comportamento «ilustra a política do governo cessante».