O primeiro-ministro grego anunciou esta quinta-feira o fim do programa de resgate no país. «Acabou a troika, acabou o memorando de entendimento», disse, na conferência de imprensa no final do Conselho Europeu, em Bruxelas.

«Estaremos em contacto com os nossos parceiros institucionais - Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu - para encontrar soluções comuns aceitáveis», salientou, no entanto, AlexisTsipras, afirmando e reafirmando que não será repetido o memorando de entendimento com a troika.

O líder grego apresentou aos seus homólogos europeus as propostas que tem para o pós-programa de resgate, que termina no final do mês, garantindo que vai cumprir as regras europeias, ainda que não concorde com elas.

«Discordamos das regras que provocam austeridade, mas somos obrigados a respeitar as regras europeias», sublinhou, lembrando que, por outro lado, «deve haver respeito pela democracia» e o mandato que os eleitores lhe deram.

O chefe de Governo grego sublinhou que «as reformas aplicadas no programa de resgate não funcionaram», considerando também que «a Grécia precisa de alguma folga orçamental».

Tsipras afirmou que, havendo acordo com os seus parceiros, a Grécia «precisa de um novo contrato social que leve o país de novo para o caminho do crescimento».

Este novo programa é o centro das negociações na próxima reunião com os ministros das Finanças da zona euro, na segunda-feira. Até lá, vão começar os trabalhos técnicos.

Assumindo a facilidade de resolver as questões técnicas, o chefe do Governo grego reconheceu que as negociações eram mais complicadas a nível político. «Deixamos a cimeira sem termos resolvido todos as diferenças. Mas fizemos algum progresso», considerou.

O primeiro-ministro grego avisou ainda que o seu Governo não vai quebrar promessas eleitorais, apesar de poder vir a ser alvo de pressões. «A Grécia não chantageia nem será chantageada», sublinhou.

Alexis Tsipras disse também que a situação provocada pela austeridade na Grécia não tem precedentes e devastou o Estado.

«As medidas de consolidação orçamental devastaram o Estado, criaram uma enorme crise humanitária. O resgate impôs uma austeridade sem precedentes», afirmou Tsipras, recusando comparações entre a Grécia e outros países que também assinaram memorandos de entendimento com a troika, como Portugal ou Irlanda.

O chefe de Governo grego salientou que «as reformas aplicadas no programa de resgate não tiveram efeito positivo» e que a classe média foi a «mais castigada» pela austeridade imposta ao país. Tsipras salientou ainda que «é inútil colocar problemas domésticos a nível europeu».

«Independentemente do que acontecer na Grécia, os problemas dos outros países continuarão a existir. Tentei explicar que interessa a todos o sucesso da Grécia. Se a Grécia se tornar num país normal, se deixar de ser um caso especial, é bom para a Europa», considerou.