As barreiras de metal em frente ao Parlamento grego, em Atenas, que ali foram colocadas desde os confrontos de 2012, foram esta quarta-feira removidas. A ordem de remoção foi dada pelo Ministério da Proteção dos Cidadãos, indica no Twitter o repórter grego Makis Sinodinos.
 
A praça Sintagma, no centro de Atenas, foi palco de importantes manifestações desde a eclosão da crise em 2010. Situada em frente ao Parlamento grego e ponto nevrálgico da grande cidade, na praça Sintagma cruzaram-se, nos últimos três anos, de forma anónima, várias visões da Grécia que conviveram sob tensão, do conservadorismo ao protesto, da incredulidade à esperança.

E foi a partir da praça Sintagma, que toda a Grécia ficou chocada, na manhã do dia 4 de Abril de 2012, com a notícia de Dimitris Christoulas, de 77 anos, que se suicidou com um tiro na cabeça por volta das 09:00, aos olhos de quem ia a passar. Tratava-se de um farmacêutico reformado, que vendeu a farmácia em 1994. Antes de disparar, gritou que «não queria deixar dívidas aos filhos». Na altura, o site Athens News reportava uma carta de suicídio encontrada com a vítima, na qual dizia que a pensão que recebia não dava para viver, depois dos muitos cortes que sofreu, e na qual acusava o Governo grego de traição. «É a única forma de um final digno, não posso comer do lixo», escreveu.

 

Na Praça Sintagma, o coração político grego, esta quarta-feira retiraram-se as barreiras de metal, como que a marcar o fim de cinco anos de relações hostis entre os gregos e o Governo. A ordem partiu do novo Executivo que ali se reuniu, no Parlamento, no primeiro Conselho de Ministros após as eleições que deram a vitória ao Syrisa. Uma vitória que foi eco das ruas gregas e dos milhares de manifestantes que ali se reuniram para dizer que «chegou a hora de tentar algo novo, o Syriza», a coligação de esquerda radical que «dá esperança àqueles que já nada têm a perder».