O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, considerou este sábado que o Eurogrupo conseguiu um bom acordo com a Grécia, porque é necessário «dar tempo para que os gregos respeitem os seus compromissos» e não humilhar o país.

Em declarações aos jornalistas no final de uma reunião dos líderes socialistas europeus, em Madrid, o primeiro-ministro francês sublinhou que a Europa não deve «humilhar o povo grego».

«É um bom acordo, porque a Grécia tem de respeitar os seus compromissos, mas ao mesmo tempo temos de lhes dar tempo para que possam respeitar os seus compromissos. Nesse sentido é um bom acordo», sublinhou Manuel Valls.


Na reunião dos líderes socialistas europeus não esteve presente qualquer representante dos socialistas gregos, o PASOK (grande derrotado nas eleições gregas do final de janeiro).

Manuel Valls reafirmou a necessidade de ajudar a Grécia, sem esquecer a responsabilidade dos governos helénicos que contribuíram para a crise atual.

«Temos de ajudar a Grécia, mas sem esquecer a situação do povo grego, que sofreu muito nos últimos anos, com a crise económica mas também devido ao que se passou na Grécia, da responsabilidade dos governos de antes», salientou o líder francês.

«Não temos que humilhar o povo grego. Um povo que também ajudamos - como ajudámos Espanha e Portugal depois das ditaduras - e que pertence à Europa. O lugar da Grécia é na Europa, é na zona euro», disse.


O primeiro-ministro francês também comentou a ascensão do Podemos em Espanha, afirmando que uma Europa sem «alma» abre espaço aos extremismos de esquerda e de direita.

«A resposta da esquerda europeia é criar mais justiça social, apoiar o crescimento e fazer tudo pelo emprego - sobretudo dos jovens - dar outra vez uma esperança e uma alma ao projeto europeu. Se não houver alma do projeto europeu, são os populistas de extrema-direita e extrema esquerda que podem ganhar», alertou Manuel Valls, recordando que em França «não existe um fenómeno» como o Podemos.


A conferência de líderes socialistas europeus reuniu hoje em Madrid cerca de 40 dirigentes, entre os quais o secretário-geral do PS, Antonio Costa.

No encontro estiveram primeiros-ministros europeus como Manuel Valls (França), Victor Ponta (Roménia) e Stefan Lofven (Suécia), bem como o vice-chanceler da Alemanha com a pasta da Economia e líder do SPD, Sigmar Gabriel, o presidente do Partido Socialista Europeu, Sergei Stanishev, e o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.