Angela Merkel foi a Paris para uma reunião bilateral com François Hollande. A chanceler alemã e o Presidente francês "respeitam" o voto do referendo grego, com uma vitória expressiva do 'oxi', ou seja, 'não' à proposta dos credores. Em sintonia, disseram que as "portas estão abertas à negociação", mas pediram propostas "sérias e credíveis" ao primeiro-ministro Alexis Tsipras, deixando ainda alguns recados. 

"Respeitamos voto dos gregos. A Europa é a democracia. Entendemos a mensagem de todos os partidos democráticos da Grécia e o povo, que reafirmou voluntariamente que quer que o país fique no euro. As portas estão abertas à discussão"


Palavras de François Hollande, o primeiro a falar, corroboradas pela líder da maior potência europeia:

"Respeitamos esta decisão do referendo, é o voto de um país democrático. Devemos viver com esta decisão. A porta resta aberta e é a razão pela qual o Eurogrupo se reúne amanhã. É urgente que o Governo grego apresente propostas, para o seu país reencontrar a prosperidade e para podermos encontrar uma saída"


"Não há muito tempo"


Mais uma vez, a bola está do lado grego. Hollande vincou que a Europa espera de Tsipras propostas "sérias e credíveis para traduzir essa vontade da Grécia de ficar no euro". O primeiro-ministro grego falou com Merkel antes desta reunião bilateral, garantindo a apresentação de novas propostas no encontro de ministros das Finanças da Zona Euro. 
 
"Não há muito tempo e há urgência, para a Grécia e para a Europa. É uma questão de visibilidade, credibilidade e mesmo de dignidade. A Europa faz face à sua responsabilidade", vincou o Presidente francês. 

Depois, garantiu que "há espaço para a solidariedade, por toda a Europa, mas também há responsabilidade". "O equilíbrio entre os dois deve ser linha de conduta para os dias que aí vêm".

 
Na mesma linha, a chanceler alemã lembrou a ajuda que a Europa já prestou à Grécia, por duas vezes: "Demos provas de muita solidariedade para com a Grécia, a Europa foi muito generosa, coerente e resta unida" em muitas outras situações, como a do terrorismo ou dos imigrantes, exemplificou. Espera que, também agora, haja prova dessa união.

"É importante que cada país prove a sua responsabilidade e veremos qual a reação dos outros 18 países. É isto a democracia".


Da parte de outro credor, o FMI, Christine Lagarde disse que já tomou “nota do resultado do referendo” e que a  instituição está disposta a prestar ajuda ao governo grego. 

Dos Estados Unidos da América surge o apelo ao compromisso. A Casa Branca espera que seja encontrada uma solução para a crise da dívida grega, por forma a manter o país no euro. 

Um dia depois do referendo, já houve uma sucessão de decisões relevantes: o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, anunciou a demissão; o seu sucessor é Euclid Tsakalotos, o já chefe das negociações com os credores; os bancos gregos vão permanecer f echados até quarta-feira.