O governo de coligação liderado pelo primeiro-ministro Antonis Samaras recebeu esta sexta-feira um voto de confiança do parlamento grego.

Todos os 155 deputados da Nova Democracia e do Pasok, que integram a coligação, votaram a favor. 131 parlamentares votaram contra e dois abstiveram-se.

Samares ganha assim alguma estabilidade interna, quando se prepara para meses de difíceis negociações com os credores internacionais.

O primeiro-ministro grego prometeu uma saída do programa de resgate e um financiamento «por meios próprios» a partir de 2015, quando a Grécia registar um «défice zero» e o início do «crescimento económico».

No entanto, Samaras e o seu parceiro de coligação do Pasok, Evangelos Venizelos, não esconderam o nervosismo face às últimas projeções, que colocam a coligação de esquerda Syriza, principal força da oposição, com uma importante vantagem nas intenções de voto.

O Syriza surge agora com um avanço de 11 pontos face aos conservadores da Nova Democracia e, pela primeira vez, ultrapassa claramente a soma dos dois partidos que integram o governo, com cinco pontos de vantagem.

Apesar de as legislativas estarem previstas para 2016, não é de excluir uma antecipação do escrutínio, quando o parlamento se prepara para eleger em fevereiro o novo Presidente do país, como prevê a Constituição.

Nessa votação, o Governo necessita de obter pelo menos 180 votos (três quintos da Câmara), para impor o seu candidato. Caso não consiga este resultado, a legislação prevê a convocação imediata de legislativas antecipadas.

Por este motivo, o comportamento dos 23 deputados independentes foi considerado uma primeira sondagem sobre a eleição do novo chefe de Estado, na qual o Governo necessitará de 25 votos suplementares.

A maioria das forças da oposição já afirmou que não apoiará o candidato governamental, para forçar a antecipação do escrutínio. Assim, tudo dependerá dos deputados independentes, muitos provenientes dos grupos parlamentares conservador e social-democrata.

No entanto, e na votação desta sexta-feira, Samaras apenas garantiu a abstenção de dois independentes, e nenhum apoio explícito.