O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, defendeu a manutenção da solidariedade com a Grécia, desde que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, com quem não falou em Bruxelas, cumpra os compromissos assumidos pela Grécia.

Por solicitação do presidente do Conselho Europeu, Rajoy estava encarregado de fazer uma exposição inicial na cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia sobre o que a UE deveria fazer para responder ao terrorismo. A situação na Grécia não integrava a agenda oficial da cimeira, mas a presença de Tsipras permitiu que o primeiro-ministro grego interviesse para expor a situação do seu país.

Fontes do governo espanhol informaram a Efe que os dois dirigentes nunca se cumprimentaram, nem durante as sessões da cimeira, nem durante a foto de família dos participantes.

O primeiro-ministro da Grécia assegurou, no final da reunião, que Mariano Rajoy «está equivocado» ao relacionar as suas «preocupações domésticas» com o êxito do novo executivo helénico, liderado pelo partido Syriza.

«Rajoy estava um pouco nervoso durante a cimeira, especialmente quando [o debate] tinha a ver com a Grécia. Creio que está equivocado e espero ter a oportunidade para lhe explicar», afirmou Tsipras, que insistiu que «não há motivo para exteriorizar as preocupações domésticas», por ser «um enfoque equivocado».

Na sua opinião, «os problemas domésticos em Espanha serão resolvidos, aplicando as medidas que sejam aceites pelos seus próprios cidadãos». Recorde-se que o «Podemos», «partido-irmão» do Syriza, tem estado à frente nas sondagens em Espanha.

Já quando lhe foi solicitado que explicasse a impressão que lhe causou Tsipras, Rajoy disse que não está para julgar as pessoas e que a UE já ajudou muito a Grécia. Depois de recordar que Espanha contribuiu com 26 mil milhões de euros para o seu resgate, considerou que as condições dos empréstimos concedidos à Grécia são «magníficas».

Para o chefe do executivo de Madrid, o problema da Grécia não é a dívida, mas o crescimento e a criação de emprego. «Estavam a ser dados passos na boa direção e espero que continuem», acrescentou Rajoy, que insistiu que o essencial é que a Grécia cumpra as regras e os compromissos assumidos.

Rajoy disse também não prever um cenário em que a Grécia não cumpra os compromissos e apelou à sensatez e ao senso comum do novo governo grego. Sublinhou ainda que as autoridades de Atenas devem dizer o que querem, considerou que a Grécia «não tem ninguém que lhe empreste», exceto a UE, e voltou a negar a possibilidade de o euro estar em perigo.