Eduardo Paz Ferreira afirmou, este domingo, no Especial da TVI24 que acompanha a contagem dos votos gregos, que no início da semana, as projeções do “não” chegavam aos 70%, mas que esse número diminuiu quando começou “a enorme campanha de pressão e de chantagem.
 

“Devo dizer que isto é uma coisa heroica do povo grego, dizer ‘não’, ser capaz de afirmar uma escolha democrática, sem o fazer por razões económicas”, afirmou o professor da Universidade de Direito.


O mesmo acredita Ana Gomes, deputada do Parlamento Europeu, que afirmou o "não" é um "grande tributo a um povo que não se deixa atormentar" e que "consegue resistir à chantagem, depois de todo o sofrimento que passou nos últimos meses". Ana Gomes declarou também que a Grécia "diz ‘não’ a esta Europa que não tem solidariedade, que não tem coesão e que não tem sustentabilidade para o euro”.

A deputada criticou também as declarações do primeiro-ministro, apelidando-as de "obscenas", depois de este ter afirmado que os gregos não desejam ser ajudados.

Já Tiago Moreira de Sá , professor na Universidade Nova, disse à TVI24 que por trás do referendo "há duas agendas escondidas Do Syriza para minar por dentro a zona Euro, mas também das instituições europeias e dos outros governos para fazer da Grécia uma vacina para o resto da Europa".


O professor afirmou que os credores não estão só a avisar a Grécia pela falta de pagamento. Estão também a puni-la para que sirva de exemplo a outros países que podem ser contaminados pelas suas políticas extremistas, como a França e a Espanha.

O professor na Universidade Católica, Paulo Sande, afirma, contudo, que é preciso “ter cuidado com as palavras”, uma vez que as críticas aos credores, proferidas pelo governo grego, podem ter comprometido futuras negociações.

“Quando Varoufakis classifica os seus parceiros, com o quais no dia a seguir diz que quer negociar, como terroristas, que tipo de portas se querem manter abertas?”