O eurodeputado grego do Syriza, Manolis Glezos, criticou este domingo o acordo que foi alcançado entre o Governo helénico e os parceiros europeus, apelando à mobilização dos simpatizantes do partido para manifestarem a sua posição acerca do mesmo. O governo grego enfrenta assim a primeira contestação interna de peso daquele que é o decano dos deputados europeus. As divisões dentro do Syriza, uma coligação da esquerda com várias facções radicais, são a outra face da batalha que Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis enfrentam na luta para conseguir um acordo europeu.

«A mudança do nome da troika para «instituições», do «memorando» por «acordo» e dos «credores» por «parceiros» não altera nada a realidade anterior», assinalou Glezos num artigo publicado num blog, noticiou a agência de notícias espanhola EFE.

Manolis Glezos pediu a «todos os membros e simpatizantes»do Governo de coligação encabeçado pelo Syriza que decidam «em reuniões extraordinárias a todos os níveis da organização» se aceitam a decisão do executivo de Alexis Tsipras.

O emblemático político esquerdista sublinhou que já passou um mês desde as eleições, mas ainda não foi cumprida a promessa do Syriza de «abolir a troika e o programa de resgate».



No seu artigo, Glezos pede desculpa aos eleitores gregos por tê-los feito «participar na ilusão» durante a campanha eleitoral de ter um Governo de esquerda, pedindo-lhes uma reação «antes que seja demasiado tarde».

Manolis Glezos, eleito pelo Syriza, é o deputado mais idoso do Parlamento Europeu. Tem 92 anos, é um herói da segunda guerra mundial. Em Janeiro falou com a TVI e na altura considerou que o novo governo grego era um exemplo para a Europa e para o mundo.

Segundo a EFE, fontes governamentais reagiram às críticas apontando para o decorrer das negociações com os países da zona euro, afirmando que Glezos «não faz ideia das duras negociações» com os parceiros europeus.

O Governo de Alexis Tsipras está a trabalhar em contrarrelógio durante este fim-de-semana para preparar a lista de reformas que tem que enviar para Bruxelas na segunda-feira, e que é decisiva para que os credores decidam finalmente se aceitam estender por mais quatro meses o financiamento ao país.

O Ministério das Finanças grego, liderado por Yanis Varoufakis tem previsto enviar ainda hoje uma primeira carta de três páginas com parte das reformas para que o Eurogrupo faça uma primeira avaliação e reação, de modo a perfilar a proposta que Atenas vai entregar na segunda-feira.

O objetivo é que as instituições enviem observações durante a tarde deste domingo e, assim, moldar a proposta que Atenas vai apresentar na segunda-feira às instituições europeias para conseguir estender o financiamento ao país por mais quatro meses.  

Segundo os meios de comunicação locais, as medidas não incluem um custo concreto das reformas, mas são semelhantes às propostas políticas, ou seja, o Governo explica os seus métodos para combater a evasão fiscal, a corrupção, a reforma da administração pública e combater a crise humanitária.

O ministro de Estado, Nikos Pappas, advertiu que algumas reformas que o Governo grego irá apresentar na segunda-feira «não são negociáveis» e são uma «questão de soberania nacional».

«O Governo grego vai discutir essas reformas com os parceiros na zona euro, partindo do princípio que há questões de soberania dentro da política interna que não são negociáveis», disse Nikos Pappas ao canal televisivo Mega.


O vice-primeiro ministro, Yanis Dragasakis, disse, no sábado, depois de participar numa reunião do Conselho de Ministros, que a elaboração da lista de reformas «não é algo complicado, é um processo fácil». Fontes governamentais asseguraram que a intenção do executivo de Alexis Tsipras é não aceitar quaisquer cortes nos salários e pensões.

 O Governo grego está assim otimista sobre a aceitação da lista das reformas que irá apresentar na segunda-feira às instituições europeias para conseguir estender o financiamento ao país por mais quatro meses.

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, disse ser «quase certo» que as reformas vão ser aceites por Bruxelas, e que o passo seguinte será dado depois das instituições analisarem o seu conteúdo. Yanis Varoufakis explicou que se a resposta for afirmativa «haverá uma teleconferência com as instituições e, automaticamente, o processo avançará».



Um alto oficial do governo, citado pela AFP, disse hoje que Atenas irá apresentar propostas que levarão a economia grega a lutar «fora de sedação».

«Estamos a compilar uma lista de medidas para tornar mais eficaz a função pública grega e para combater a evasão fiscal», disse o ministro de Estado, Nikos Pappas, ao canal televisivo Mega.

A lista de medidas apresenta este domingo deverá ainda agradar a várias alas do Syriza, no entanto, a confiança de Varoufakis numa aprovação «à primeira» pode revelar-se como demasiado optimista. Novas concessões do Governo Grego para conseguir a aprovação do acordo abre espaço a outra frente de batalha: a contestação política interna que  pode ou não encontrar eco nas ruas gregas.