Cientistas brasileiros do Instituto Carlos Chagas, da Fiocruz, e da Pontifícia Universidade Católica Paraná (PUC-PR) confirmaram, esta quarta-feira, que o vírus Zika consegue ultrapassar a placenta durante a gestação.

Desde 2015, especialistas brasileiros suspeitam que a infeção em mulheres grávidas está a provocar o aumento dos casos de microcefalia registados no país.

O estudo é revelador porque detetou o Zika na placenta de pacientes grávidas infetadas após a análise da amostra de uma gestante da região Nordeste, cujo feto deixou de se desenvolver dentro do útero no primeiro trimestre de gravidez.

"A paciente relatou sintomas clínicos que indicavam infeção pelo vírus Zika no início da gravidez e sofreu o aborto na oitava semana", explicou Cláudia Nunes Duarte dos Santos, virologista da Fiocruz.


A investigadora disse que embora ainda não seja possível relacionar esta descoberta com os casos de microcefalia e outras alterações congénitas, o resultado confirma de modo inequívoco a transmissão intrauterina do vírus.


Além do Brasil, o Zika circula na Colômbia, El Salvador, Guiana Francesa, Guatemala, Haiti, Honduras, Martinica, México, Panamá, Paraguai, Suriname, Venezuela e Porto Rico.

Na semana passada, o Governo norte-americano emitiu um alerta pedindo às mulheres grávidas que adiem viagens ao Brasil e a outros países onde o Zika foi detetado. Os Estados Unidos registaram o primeiro nascimento de um bebé com microcefalia que pode estar relacionado com o vírus.

O último balanço divulgado no dia 12 de janeiro pelo Ministério da Saúde do Brasil revelou 3.530 casos suspeitos de microcefalia no país. O boletim também confirmou a morte de dois recém-nascidos e dois abortos no Rio Grande do Norte.

As notificações de malformação estão distribuídas em 724 municípios de 21 estados brasileiros.

Pernambuco, tem o maior número de suspeitas (1.236), seguido da Paraíba (569), Baía (450), Ceará (192), Rio Grande do Norte (181), Sergipe (155), Alagoas (149), Mato Grosso (129) e Rio de Janeiro (122).