As autoridades sudanesas devem libertar em breve Meriam Ibrahim, a mulher que foi condenada à morte por recusar a conversão ao islão e que deu à luz na cadeia na semana passada. A informação foi avançada por um representante do Ministério de Relações Exteriores sudanês. Cartum parece ter cedido assim às pressões diplomáticas, já que a condenação de Meriam mereceu profundas condenações internacionais.

O sub-secretário do ministério, Abdullahi Alzareg, adiantou que Meriam deve ser libertada dentro de alguns dias. Alzareg adiantou ainda que o Sudão garante a liberdade religiosa e está comprometido em proteger Meriam.

Meriam, de 27 anos, foi criada como uma cristã ortodoxa. Ela foi criada com a mãe, cristã, e não teve contacto com o pai, islâmico. Ainda assim, um juiz sudanês decretou que deveria ser considerada muçulmana por causa da religião de seu pai. Meriam era casada com o cristão e já tinha um filho.

Quando foi presa, estava grávida de oito meses. Deu à luz na cadeia, na última semana, uma menina. Não a autorizaram a ter a filha num hospital e nem sequer lhe removeram as correntes das pernas durante o parto.

A justiça sudanesa tinha determinado que Meriam poderia cuidar de sua filha por dois anos antes do cumprimento da sentença ¿ a morte por enforcamento.

O casamento cristão de Meriam, em 2011, foi anulado e ela também foi condenada a 100 chicotadas por adultério já que a união não é considerada válida sob a lei islâmica. O marido, que sofre de distrofia muscular e se desloca numa cadeira de rodas. Como o casamento é considerado nulo, ele nem sequer é considerado pai das crianças.