A mulher sudanesa condenada à morte por não se converter ao islamismo deu à luz com as pernas atadas. Foi o marido, Daniel Wani, quem o contou, numa entrevista ao jornal britânico «The Telegraph»: «Eles mantiveram-lhe as correntes nas pernas».

«Ela estava muito triste com isso», acrescentou.

Daniel Wani não pode ver a filha logo após o nascimento, que aconteceu na terça-feira. Só esta quarta-feira lhe foi possível ver a mulher e a bebé. «Foi muito bom poder ver a minha filha. Estou tão feliz», confessou, acrescentando que «a bebé é muito bonita».

A menina chama-se Maya, por escolha da mãe. Meriam Ibrahim foi condenada à morte no início deste mês, por recusar abandonar o cristianismo e converter-se ao islamismo. Estava grávida de oito meses, mas isso não impediu as autoridades sudanesas de a manterem na prisão, onde estava desde fevereiro. Nem sequer lhe foi permitido abandonar a cadeia para dar à luz num hospital.

Ela é casada com Daniel Wani, um bioquímico de 27 anos. O casal tem já outro filho: Martin, de 20 meses, que está na cadeia com a mãe. «Na verdade, Martin está bem. Nem creio que ele perceba o que se está a passar e está feliz. Uma mulher ajuda a tomar conta dele», conta Daniel Wani, que sofre de distrofia muscular e está confinado a uma cadeira de rodas.

Como as autoridades sudanesas não reconhecem o casamento cristão, além da condenação de Meriam, também Daniel foi condenado por adultério. Assim, de acordo com a lei islâmica, ele não é sequer pai das crianças, porque o casamento não é válido.