Onze bebés morreram e outros 17 desenvolveram problemas pulmonares porque as mães tomaram viagra durante a gravidez. O medicamento foi utilizado por dezenas de grávidas no âmbito de um estudo que foi realizado em dez hospitais da Holanda, desenvolvido pelo Centro Médico da Universidade de Amesterdão.

O estudo começou em 2015 e deveria decorrer até 2020, com a participação de 350 pacientes.

O viagra, que dilata os vasos sanguíneos, é usado para combater a disfunção erétil nos homens, sendo ainda prescrito para pessoas com hipertensão. A esperança do estudo, apoiada por testes experimentais em ratos, era que o medicamento ajudasse a melhorar o fluxo de sangue através da placenta, promovendo, assim, o crescimento da criança.

No entanto, teme-se que o medicamento tenha causado hipertensão pulmonar, levando os bebés a receber pouco oxigénio.

Queríamos mostrar que esta é uma maneira eficaz de promover o crescimento do bebé. Mas aconteceu o oposto. Estou chocado. A última coisa que queríamos era prejudicar os pacientes. Já notificámos os investigadores canadianos que estão a realizar um estudo semelhante. De qualquer forma, eles pararam temporariamente o estudo”, esclareceu o ginecologista Wessel Ganzevoort, líder do estudo ao jornal holandês De Volkskrant.

Num outro grupo do estudo, 90 mulheres tomaram apenas um placebo. Três bebés desenvolveram os mesmos problemas pulmonares, mas nenhum bebé morreu.

Há ainda entre 10 a 15 mulheres que estão à espera de descobrir se o seu filho também foi afetado pelo medicamento.

Por causa destes dados, o Centro Médico da Universidade de Amesterdão decidiu parar o estudo de imediato.

Uma análise interna mostrou que o medicamento pode ser prejudicial para o bebé. A probabilidade de uma doença nos vasos sanguíneos dos pulmões e de morte parece ter aumentado. Os investigadores não encontraram nenhum efeito positivo para as crianças noutros resultados. Todos os efeitos adversos ocorreram após o nascimento. Com base nessas conclusões, o estudo parou imediatamente. Todos os participantes foram abordados pessoalmente e quase todos foram informados e sabem agora se tomaram viagra ou placebo”, informou a unidade de saúde num comunicado.