Portugal está «preocupado» com a situação na Ucrânia, mas só tomará uma posição sobre eventuais sanções àquele país na quinta-feira, depois de os ministros dos Negócios Estrangeiros europeus se reunirem em Bruxelas, afirmou esta quarta-feira o chefe da diplomacia portuguesa, Rui Machete.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros português, que falava hoje em Maputo à margem de um encontro com o seu homólogo moçambicano, Odemiro Baloi, Portugal quer ver «restabelecida a tranquilidade» na Ucrânia e encontrar «soluções duradouras» para a situação de instabilidade política que aquele país atravessa.

«A posição de Portugal vai depender da reunião que, amanhã [quinta-feira], se realizará em Bruxelas, dos ministros dos Negócios Estrangeiros, em que não estarei presente, mas representado pelo senhor secretário de Estado dos Assuntos Europeus», disse Rui Machete à saída de um encontro com Odemiro Baloi.

De acordo com o ministro português, a aplicação de sanções ao Governo de Kiev, liderado por Viktor Ianukovich, que alguns responsáveis europeus reclamam, está dependente da reunião dos seus homólogos em Bruxelas.

«Se essas medidas [para o restabelecimento da tranquilidade] envolvem ou não sanções depende muito do tipo de conclusões que viermos a ter» em Bruxelas, afirmou Machete.

A crise política na Ucrânia começou em finais de novembro quando milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra a decisão do presidente de suspender os preparativos para a assinatura de um acordo de associação com a União Europeia e de reforçar as relações com a Rússia.

A situação agravou-se na terça-feira à noite com violentos confrontos entre a polícia e manifestantes na praça Maidan, junto ao parlamento de Kiev, que se saldaram em pelo menos 26 mortos e mais de 200 feridos.

Rui Machete encontra-se em Maputo para participar, na quinta-feira, na Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.