O Presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, que se recandidata ao cargo, tentou votar este sábado, na companhia da sua mulher, Patience, mas problemas com a nova tecnologia de votação obrigaram-no a abandonar a secção de voto.

O líder em exercício, que pretende conquistar um segundo mandato, chegou à mesa de voto da sua cidade natal, Otuoke, no sul do estado de Bayelsa, pelas 09:20 locais (08:20 em Lisboa) para iniciar o processo de acreditação.

No entanto, o sistema tecnológico para ler dados biométricos dos cartões de identificação dos eleitores, que está a ser usado pela primeira vez, aparentemente não funcionou, obrigando Goodluck Jonathan a adiar a intenção de votar.

O candidato, de 57 anos, cujo partido (Partido Democrático Popular) demonstrou preocupações acerca da tecnologia usada na votação e da capacidade dos elementos das mesas de voto em usarem-na, referiu que «pode haver um problema».

«Talvez seja eu», brincou, enquanto pedia paciência.

«É a primeira vez que estamos a usar esta tecnologia, cartões de eleitor permanentes, leitores de cartões», disse, acrescentando «não estar preocupado», apesar dos relatos de problemas noutras mesas de voto por todo o país.

Pelo menos duas pessoas morreram em ataques a mesas de voto
 
Pelo menos duas pessoas morreram em ataques a mesas de voto no nordeste da Nigéria, alegadamente realizado pelo grupo radical islâmico Boko Haram, de acordo com residentes e um funcionário eleitoral, ouvidos pela Agência France Presse (AFP).

Os ataques ocorreram nas aldeias de Birin Bolawa e Birin Fulano no distrito de Nafada, no estado de Gombe, que tem sido repetidamente atacado pelos islamitas radicais.

«Podíamos ouvir homens armados a gritar: ‘Não vos avisámos para se manterem longe da eleição’», disse um funcionário eleitoral, que pediu anonimato.

O líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, disse numa mensagem em vídeo divulgada no mês passado que os militantes daquele grupo iriam perturbar as eleições, que consideram «anti-islâmica».

«Esta eleição não irá acontecer, mesmo que estejamos mortos. Mesmo que não estejamos vivos, Alá não irá permitir que a realizem», afirmou na altura.

O mesmo funcionário eleitoral disse que homens armados mascarados chegaram a Birin Bolawa numa carrinha ‘pick-up’ pelas 08:30 locais (07:30 em Lisboa), pouco depois de a acreditação dos eleitores ter começado.

Um eleitor foi morto a tiro e outros fugiram em pânico.

«Pegaram fogo a todos os materiais ligados às eleições, que abandonámos quando fugimos», acrescentou a mesma fonte.

Karim Jauro, um habitante de Birin Fulani, referiu que o segundo ataque aconteceu pelas 09:15 locais, acrescentando que se tivessem sabido do primeiro ataque, teriam abandonado a mesa de voto.

«Mal as pessoas os viram, começaram a fugir, mas os homens armados abriram fogo à mesa de voto, matando um homem», contou.

Karim Jauro relatou ainda que depois «queimaram os materiais ligados à eleição». «Acreditamos que são do Boko Haram, que avisaram as pessoas para que não participassem na eleição», disse.

Cerca de 68,8 milhões de nigerianos são chamados hoje às urnas para elegerem um novo Presidente e um parlamento, num ambiente de tensão devido ao risco de violência política e à ameaça de atentados islamitas.

Os candidatos à chefia do Estado são 14, entre os quais se encontra pela primeira vez uma mulher, mas a disputa, que se prevê renhida, envolve o cessante Goodluck Jonathan e o ex-general Muhammadu Buhari, que dirigiu a Nigéria, à frente de uma junta militar, entre 1983 e 1985.