O caso de corrupção que envolve a multinacional GlaxoSmithKline (GSK) na China continua a adensar-se. Após uma longa investigação, vários executivos do grupo farmacêutico britânico foram acusados de criar um esquema de suborno para impulsionar as vendas da empresa no mercado chinês. Ao escândalo acresce agora um vídeo de conteúdo sexual que envolve o responsável máximo da farmacêutica na China, Mark Reilly. As imagens teriam sido gravadas com uma câmara escondida sem o consentimento de Reilly, refere o jornal inglês «Financial Times».

Três executivos da GlaxoSmithKline PLC, incluindo o próprio Mark Reilly, foram indiciados, em maio, pela polícia chinesa, por corrupção. Reilly e os cidadãos chineses Zhao Hongyan e Zhang Guowei criaram uma rede que subornava hospitais, funcionários de instituições de saúde e pessoal do Departamento de Comércio em Pequim e Xangai. O objetivo era impulsionar as vendas e os lucros da empresa de forma fraudulenta.

A própria GSK já confirmou a existência de um vídeo de cariz sexual em que Reilly e a namorada parecem ter sido filmados, com uma câmara oculta, no quarto do apartamento em que moram em Xangai. A gravação foi enviada de forma anónima por correio eletrónico a vários executivos farmacêuticos em março de 2013, acompanhada de acusações de corrupção contra os dirigentes da empresa na China.

A GSK terá permitido que Reilly contratasse um detetive particular para investigar quem tinha instalado a câmara oculta. A própria empresa abriu uma investigação independente, que juntou à que já tinha aberto em janeiro de 2013, quando recebeu as primeiras acusações contra os executivos da empresa na China.

As autoridades chinesas acusam a GSK de, através de subornos, ter conseguido aumentar «intencionalmente» os preços dos medicamentos para venda no país. Nos casos mais extremos, um produto poderia ser vendido até sete vezes mais caro na China do que noutros mercados. Com a ajuda de subornos, os benefícios da empresa na China subiram de 3.900 milhões para 6.900 mil milhões de yuans (460 a 815 milhões de euros) em apenas três anos, entre 2009 e 2012.