O ministério da Defesa russo anunciou, nesta quinta-feira, que o exército sírio tomou o controlo total de Douma, a maior cidade de Ghouta Oriental e última fortaleza dos rebeldes na periferia de Damasco, onde terá ocorrido um ataque com armas químicas.

Em comunicado, Moscovo anuncia, ainda, que “a partir de hoje vão estar na cidade unidades da polícia militar das Forças Armadas da Rússia”.

Na nota é também sublinhado que a polícia militar russa será o “garante da preservação da ordem pública na cidade” síria, onde a situação está agora "normalizada".

Não há, até ao momento, qualquer confirmação do regime de Bashar al-Assad sobre o controlo de Douma.

O ministério russo informou, também, que nas últimas 24 horas cerca de 1.500 pessoas deixaram a cidade, depois da evacuação da semana passada, que envolveu mais de 13.500 sírios.

Os “últimos rebeldes” de Douma depuseram as armas e o líder do grupo Jaich al-Islam abandonou a zona dirigindo-se para o norte do país, indica o Observatório Sírio dos Direitos do Homem. “Os combatentes do grupo Jaich al-Islam entregaram as armas à Polícia Militar russa hoje em Douma.”

Organizações não governamentais denunciaram que pelo menos 42 pessoas, entre as quais várias crianças, morreram em Douma, com sintomas associados a um ataque com armas químicas. A Organização Mundial de Saúde confirma que cerca de 500 pessoas apresentaram "sintomas consistentes com a exposição a químicos tóxicos".

A Síria nega qualquer utilização de armas químicas, assim como a Rússia, principal aliado do regime sírio, que afirmou que eventuais ataques ocidentais teriam “graves consequências”.

Moscovo já advertiu contra qualquer ação na Síria que possa “desestabilizar a situação já frágil na região”.

O presidente norte-americano, Donald Trump, avisou na quarta-feira que mísseis serão lançados, numa ação em que deve contar com o apoio do Reino Unido e da França.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou na quarta-feira que está “preocupado com o impasse” e exortou os cincos membros permanentes do Conselho de Segurança a “evitarem uma situação fora de controlo” na Síria.