O copiloto do avião da Germanwings que se despenhou nos Alpes, Andreas Lubitz, procurou tratamento para alegados problemas de visão, noticia o «The New York Times», que cita fontes ligadas à investigação do acidente.

Segundo o mesmo jornal, as autoridades não revelaram se o problema de visão e o facto de que o piloto deveria estar de baixa no dia do acidente estão relacionados. Uma outra fonte com conhecimento da investigação diz também que a hipótese de o copiloto ter problema de saúde ser psicossomático não foi afastada.

Recorde-se que, esta sexta-feira, depois das buscas realizadas às propriedades ligadas ao copiloto, os procuradores alemães afirmaram que o copiloto escondeu da entidade patronal que devia estar de baixa no dia do acidente. As autoridades encontraram o documento médico rasgado.

«Há documentos médicos que indicam que ele não estava apto para trabalhar, entre outras coisas. Os documentos são recentes, mesmo do dia do crime, apoiando a conclusão preliminar de que sofria de uma doença e que a escondeu da empresa e dos seus colegas profissionais.»

Já o diário «Bild», que teve acesso a um documento com os dados médicos do copiloto, afirma que Lubitz estava a receber tratamento psiquiátrico. Uma informação confirmada por um dos primos, que terá afirmado que o alemão sofria de «uma depressão profunda».  

Mais, o mesmo jornal afirma que a relação amorosa de Lubitz enfrentava uma crise, muito próxima da rutura. O copiloto e a namorada, juntos há sete anos, estavam noivos, com casamento marcado para o próximo ano. 

Ainda segundo uma ex-namorada do copiloto, este planeava um «evento inesquecível» que lhe permitiriam «ficar na história».  

Estas informações surgiram horas depois de ter sido noticiado que  o copiloto terá sofrido de depressão e que um esgotamento nervoso, em 2009, terá estado na origem da interrupção da formação na escola da Lufhtansa. A interrupção foi confirmada pelo diretor da companhia aérea, mas este não justificou o motivo para a pausa.  

A análise da gravação dos sons do cockpit do avião da Germanwings que se despenhou nos Alpes franceses na terça-feira concluiu que o piloto se ausentou do cockpit, provavelmente para usar a casa de banho, e foi impedido de voltar a entrar pelo copiloto, que bloqueou a porta. 

Nesse período, o copiloto acionou deliberadamente o processo de descida do avião, ignorando as pancadas na porta, as tentativas de comunicação da torre de controlo e os alarmes do próprio aparelho. O avião acabou por embater numa montanha, matando todas os 144 passageiros e seis tripulantes a bordo.