Um ano e meio é, num cenário normal, um tempo imenso, tendo em conta a intensidade com que, nos dias de hoje, as coisas acontecem.
 
Mas a corrida presidencial norte-americana não se enquadra num «cenário normal». Para muitos, trata-se mesmo da «mais louca corrida do Mundo».
 
Ora, falta hoje (8 de maio de 2015) exatamente um ano e meio para as eleições que, a 8 de novembro de 2016, vão definir quem será o sucessor (ou sucessora…) de Barack Obama na Casa Branca.
 
O último mês foi particularmente animado nessa corrida tão especial.
 
Do lado democrata, confirmaram Hillary Clinton com um estatuto muito especial: nunca um candidato não incumbente (presidente em funções) gozou de avanço tão gigantesco nesta fase.
 
Perante vantagens de 40, 50 ou até 60 pontos nas sondagens para as primárias democratas, a ex-secretária de Estado decidiu assumir essa condição de «presumível nomeada» e avançou, como primeira e destacada candidata pelo Partido Democrata, a 13 de abril, com um vídeo muito elogiado, de dois minutos e 18 segundos, com o título «Getting started».
 
As sondagens posteriores ao anúncio reforçaram cenário de nomeação fácil para Hillary e nem as sombras que a candidata carrega do passado («mailgate», Bengasi, financiamentos das fundações dos Clinton) parecem pôr em risco essa vantagem.
 
Os democratas para lá de Hillary 

Possíveis candidatos «do establishment democrata», como Joe Biden, vice-presidente dos EUA, ou Andrew Cuomo, governador de Nova Iorque, só avançariam no caso de algo falhar com Hillary – e aí teriam hipóteses de nomeação.
 
No atual quadro, o essencial do legado de Obama e agenda «core» dos democratas (reforma fiscal, minorias, recuperação económica) está a ser completamente absorvida pela campanha Hillary 2016, que até está a tentar somar bandeiras como os direitos das mulheres e das crianças.
 
Resta, do lado democrata, uma tentativa de captar os descontentes da esquerda que considera que Obama devia ter ido mais longe na «guerra ideológica» com os republicanos e até nos procedimentos no Congresso.
 
Uma parte dessa sensibilidade poderá apoiar o senador independente Bernie Sanders, do Vermont, um socialista que vota com a bancada democrata mas exige mais músculo na área da regulação financeira e do sistema bancário.
 
Sanders surge com 5/8 pontos nas sondagens. Mas se Elizabeth Warren, senadora do Massachussets muito apreciada pela forma frontal e direta como fala de temas como a desigualdade e o poder das grandes corporações.
 
Jeb ameaçado por Walker e Rubio

No campo republicano, Jeb Bush surgiu, nos últimos meses, como o pretendente mais viável, sobretudo numa perspetiva de disputar com Hillary Clinton a eleição geral. 

Mas a corrida está muito aberta na direita americana: Marco Rubio, senador júnior da Florida, ganhou um «boost» depois do anúncio na Freedom Tower, em Miami, e lidera, neste momento, as sondagens (embora por pequena margem).

Mas Scott Walker, governador do Wisconsin, está a apostar bem nos estados de arranque (Iowa e New Hampshire), e dá mostras de poder disputar a nomeação até ao fim. Se ganhar vantagem até à Florida, e sobreviver ao duelo Bush/Rubio no «sunshine state», pode criar grande surpresa e terminar coroado pelos delegados republicanos na convenção.

Já na corrida, mas aparentemente sem hipóteses de nomeação, estão Rand Paul (senador do Kentucky),  Carly Fiorina (ex-CEO da Hewlett Packard), Mike Huckabee (ex-governador do Arkansas, pastor batista e segundo classificado nas primárias de 2008), Ted Cruz (senador júnior do Texas) e Ben Carson (neurocirurgião negro).

A oito meses das primárias

A época de primárias começa a 1 de fevereiro de 2016, com o «caucus» democrata do Iowa, e no dia seguinte, 2 de fevereiro, para os republicanos.

Seguem-se o New Hampshire, a 9 de fevereiro (primeira por votação tradicional) e a Carolina do Sul, a 20 de fevereiro.

As primárias terminam em junho, ficando a investidura dos candidatos democrata e republicano para depois do verão.

A grande eleição, essa, será a 8 de novembro de 2016 - daqui a precisamente um ano e meio.

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»