Jeb Bush, 62 anos, casado e pai de três filhos (George, John e Noelle), filho do 41.º Presidente e irmão do 43.º Presidente dos EUA, governador da Florida entre 1999 e 2007, declarou esta segunda-feira, na Universidade de Miami Dade, a sua candidatura à presidência dos Estados Unidos.
 
Quer ser o terceiro Bush na Casa Branca, 27 anos depois do pai e 15 anos depois do irmão lá terem chegado.
 
No dia do arranque oficial (na prática, já está no terreno há 18 meses, sendo que só em 2014 participou em mais de 40 eventos de campanha de governadores republicanos), Jeb anuncia plano de criação de 19 milhões de empregos e lança o headline «disrupt Washington», demarcando-se assim de outros candidatos republicanos como Ted Cruz, Marco Rubio, Lindsey Graham, Mike Huckabee ou Rand Paul, que são senadores.
 
E para atacar a política externa de Obama, Jeb promete, enquanto presidente, que «os EUA consigam envolver-se de forma diferente no mundo». Jeb foi o 11.º candidato declarado às primárias republicanas. Mas ainda vêm ai mais. Um deles é Chris Christie, que deve avançar em breve.
  
Jeb «overseas»
 
Nas semanas anteriores ao anúncio desta segunda, Jeb Bush viajou pela Europa, para apresentar aos parceiros europeus as credenciais que podem fazer dele o próximo presidente americano. Mostrando, essencialmente, uma preocupação: distanciar-se da visão de política externa do irmão e aproximar-se da do pai.
 
Avisou sobre o perigo russo, prometeu liderança americana nas principais questões que ameaçam o Mundo, mas fugiu de aventuras intervencionistas idênticas à que o irmão George W. promoveu em 2003 no Iraque.
 
E, claro, acusou Obama de ser líder hesitante e fraco, um «mantra» para qualquer republicano quando se refere à política externa do atual presidente: «Quando há dúvida, quando há incerteza, quando recuamos, isso cria menos hipóteses de vermos mais paz no Mundo», comentou Jeb na Polónia.
 
Quadratura do círculo
 
É mais ou menos isso que Jeb terá que fazer, se quiser agarrar a nomeação presidencial republicana, lá para o verão de 2016: uma autêntica «quadratura do círculo», entre mostrar-se suficientemente conservador para agradar à ala mais à direita do partido, não perdendo o que o diferencia de rivais como Ted Cruz, Rand Paul ou Marco Rubio.
 
Ou seja: Jeb não deve desdizer-se em temas como a imigração (sempre teve bons apoios entre os hispânicos, o maior deles está em casa, é casado há 41 anos com a mexicana Columba), mesmo sabendo que isso lhe está a custar muitos apoios na base republicana.
 

Nate Cohn, no New York Times, identifica: «Bush pode ainda estar a caminho da nomeação. Mas a surpresa em torno da sua candidatura é que no momento em que entra oficialmente na corrida ele ainda não colheu grandes benefícios de ser o candidato do centro-direita e já sofreu muitos dos custos».

 
A observação tem a ver com o que as sondagens têm mostrado: Jeb aparece à frente da corrida republicana a nível nacional, sim, mas diferenças curtas perante nomes menos cotados como Scott Walker, Ben Carson ou até Rand Paul. E mal posicionado nos estados de arranque, Iowa e New Hampshire, dado que pode vir a alterar a dinâmica para o resto da corrida (que o diga, por exemplo, Rudy Giuliani em 2008).
 

«Jeb não está a ganhar a «corrida invisível» pelo apoio das elites republicanas. E nem sequer mobilizou ainda os votantes mais moderados. Ele começa numa posição mais fraca do que, por exemplo, o seu irmão em 1999 ou o seu pai em 1987, ou até mesmo Mitt Romney em 2011», insiste Nate Cohn.


Jonathan Martin e Patrick Healy, também no New York Times, sintetizam o caminho estreito de Jeb: «Tinha um plano de seis meses como candidato-não-declarado: angariaria dezenas de milhões de dólares, iria demarcar-se do controverso irmão ex-presidente, começaria a ganhar apoio dos conservadores e iria estabelecer-se como o candidato inevitável dos republicanos. Mas em vez disso, ainda não conseguiu recolher muito dinheiro e tem estado dividido entre defender e distanciar-se de George W. Bush. Não tem conseguido capitalizar o que fez como governador na imigração e na educação e depara-se com um muro de oposição à sua direita. E assim, no arranque oficial da sua candidatura, Bush vê-se em posição que não imaginaria: parte de um lote muito vasto de candidatos e com várias questões sobre a competência e conservadorismo».

Conseguirá Jeb ser maior do que apenas mais um Bush?

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»