Não é o favorito à nomeação republicana, mas também não é impossível que termine a corrida como o escolhido para defrontar Hillary na eleição geral.
 
Mike Huckabee, 59 anos, governador do Arkansas entre 1996 e 2007, pastor batista, casado há 41 anos com Janet e pai de três filhos, avança esta terça como candidato às primárias republicanas.
 
Conterrâneo de Bill Clinton (seu antecessor no cargo do governador do Arkansas, ambos nascidos em Hope), Huckabee é, no entanto, o oposto a nível político do marido da super favorita à nomeação democrata (ainda que ambos sejam também dois grandes apreciadores de música).
 
Muito conservador (é contra o aborto, contra quase todos os impostos e fala de Deus com uma obsessão assustadora), Mike Huckabee tem uma base de apoio ligada ao Tea Party.
 
Mas, ao contrário de outros políticos da direita americana, que nos últimos anos foram mostrando um tom demasiado agressivo e mesmo zangado, Mike tem uma imagem de marca: o seu sorriso e o seu bom humor.
 
Esse lado empático levou-o, até, a ter um programa com nome próprio na FOX, destacando-se como um dos faróis da opinião da da direita radical nos anos Obama.
 
Segundo classificado nas primárias republicanas de 2008, perdeu claramente para John McCain, mas conseguiu o feito de ter mais votos que Mitt Romney (que viria a obter a nomeação republicana quatro ano depois), pela persistência de ir até ao fim, recusando-se a dar apoio precoce ao candidato preferido pelos delegados.  
 
«Nailed Shut»: VÍDEO DE ANTECIPAÇÃO DA CANDIDATURA DE MIKE HUCKABEE



Será o sexto nome a confirmar-se do lado republicano, depois de Ted Cruz (senador do Texas), Rand Paul (senador do Kentucky) e Marco Rubio (senador da Florida), que já avançaram nas últimas semanas, e ainda do neurocirurgião negro Ben Carson e da antiga CEO da Hewlett Packard, Carly Fiorina, que anunciaram esta segunda as respetivas candidaturas, embora não tenham hipóteses reais de obter a nomeação, por quase não terem experiência política de relevo.
 
Ben será o primeiro afro-americano a entrar na corrida republicana, Carly a primeira (e provavelmente única) mulher, perante as ausências esperadas de Michele Bachmann e Sarah Palin.
 
Já há dois cubano-americanos (Ted Cruz e Marco Rubio) e é possível que surja ainda um indiano-americano (Bobby Jindal, governador da Luisiana.
 
«A diversidade é positiva para o campo republicano», nota o estretaga Matt Mackowiak, citado pelo «The Hill», blogue político alojado ao Washington Post. «Mostra que é um partido mais vasto do que muitos dizem ser».
 
Do lado democrata estão já oficializadas as candidaturas de Hillary Clinton (super favorita à nomeação) e Bernie Sanders (senador independente do Vermont).
 
A corrida à sucessão de Barack Obama acelera, assim, a sua cadência: confirma-se cenário animado e imprevisível do lado republicano, com seis candidatos já no terreno, embora, curiosamente, três dos que têm mais esperanças de nomeação (Jeb Bush, Scott Walker e Chris Christie) não constem dessa lista.
 
A explicação pode estar na pura estratégia: no caso de Bush e Walker, porque têm os dados mais animadores nas sondagens, ainda nem sequer precisaram de declarar o que todos já perceberam ser garantido.
 
Enquanto isso, Scott vai marcando terreno perante Marco Rubio (para muitos, o seu grande rival no posicionamento final de principal «challenger» ao favoritismo de Bush) e Jeb já conseguiu perder 13 quilos nos últimos meses (e, sim, a imagem conta muito em eleições presidenciais nos EUA).  
 
Já quanto a Chris Christie, os últimos meses foram tão conturbados, enquanto governador da Nova Jérsia, que Chris está à espera que o mau tempo passe – mas tudo indica que, algures em maio, o mais tardar em junho, também possa avançar.  
 
E ainda é preciso ponderar as possíveis candidaturas de Rick Santorum (antigo senador da Pensilvânia, segundo classificado das primárias de 2012), Rick Perry (ex-governador do Texas) e o já referido Bobby Jindal (governador da Luisiana).
 
Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»